A curatela de uma das mulheres mais ricas do Brasil. Esse é o centro da disputa narrada em O Testamento: O Segredo de Anita Harley, nova minissérie documental do Globoplay. Tão surreal que parece ficção, a história revela uma batalha judicial cheia de segredos que talvez nunca sejam completamente esclarecidos.
Anita Harley, empresária brasileira, é uma das principais herdeiras da rede varejista Pernambucanas. Ela construiu uma fortuna estimada em cerca de R$ 2 bilhões. Criada no Recife (PE), Anita é filha de Helena Groschke Lundgren e bisneta de Herman Lundgren, fundador da companhia. Nos anos 1990, assumiu a presidência do grupo após a morte da mãe e manteve uma gestão conhecida pela discrição.
Em novembro de 2016, no entanto, um acidente vascular cerebral mudou para sempre sua história. Desde então, Anita está em coma. A tragédia desencadeou uma complexa disputa judicial em torno de sua curatela, mecanismo legal que permite a alguém administrar os bens e representar civilmente uma pessoa incapaz de fazê-lo.
Quando a realidade parece ficção
Com 5 episódios disponíveis no streaming, a série acompanha a disputa entre duas ex-funcionárias da empresária – Cristine Rodrigues e Sônia Soares, conhecida como Suzuki – e o filho de uma delas, Artur Miceli. O trio reivindica diferentes papéis na vida de Anita, o que transforma o processo judicial em um verdadeiro quebra-cabeça de versões.

O que poderia ser apenas uma disputa patrimonial ganha contornos muito mais complexos quando as duas ex-funcionárias afirmam terem sido companheiras afetivas da empresária. Já Artur surge como suposto filho socioafetivo e possível herdeiro de Anita.
Um “Game of Thrones” brasileiro
Conforme os episódios avançam, tenho a sensação de estar diante de uma espécie de Game of Thrones tropical, principalmente pela forma como alianças, versões e interesses se sobrepõem. A cada novo depoimento ou documento apresentado, minha percepção da história muda um pouco.
O que mais chama atenção é justamente a habilidade da série de expor diferentes lados sem tentar simplificar uma disputa que, claramente, está muito longe de ser simples.
Foi impossível assistir sem continuar pensando no caso depois. Terminei a minissérie com mais perguntas do que respostas – e acredito que é exatamente aí que mora a força do documentário: deixar a sensação incômoda de que a verdade talvez nunca venha à tona.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1514, de 27 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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