Existe uma máxima comum que diz que a gente aprende na escola, mas é educado dentro de casa. Quando o assunto é o bolso, essa regra não poderia ser mais verdadeira. Embora as instituições de ensino ofereçam o ambiente perfeito para o aprendizado – com crianças da mesma idade e métodos pedagógicos adequados -, o consumo é um hábito social que nasce da convivência.
A escola tem um papel fundamental porque é onde as tendências se espalham e onde o coletivo ganha força. No entanto, para que o ensino seja eficiente, as paredes da sala de aula precisam conversar com o que acontece na sala de estar. “A educação financeira precisa ser integrada. A criança está inserida numa família, que por sua vez está inserida em um contexto coletivo e social. Tudo isso influencia a forma como ela consome, deseja e se relaciona com o dinheiro”, afirma a especialista em comportamento financeiro e cofundadora da BEM Educação, Ana Leoni.

Envolvimento dos pais
O sucesso da aprendizagem financeira dos pequenos está diretamente ligado à participação dos responsáveis. Quando os pais se envolvem, os resultados são significativamente maiores, criando uma base sólida para que o jovem não apenas entenda de números, mas de comportamento.
A escola precisa do engajamento da família, e a família também precisa passar por um processo de educação financeira para que o discurso seja coerente. Nesse ecossistema, os professores deixam de ser apenas transmissores de conteúdo para se tornarem formadores de cidadãos. “Quando entendem a importância da educação financeira em suas próprias vidas, conseguem levar esse aprendizado para a sala de aula de forma mais consistente”, ressalta Ana.
Educação financeira como inclusão social
No passado, a falta de alfabetização básica excluía as pessoas da sociedade. Hoje, a exclusão acontece também por meio do analfabetismo financeiro. Sem entender como o dinheiro funciona, o indivíduo fica mais vulnerável a fraudes, toma decisões impulsivas e encontra dificuldades para construir um futuro alinhado aos seus sonhos.
A educação financeira na infância é, portanto, um processo de inclusão social que gera autonomia. “Se no passado o analfabetismo excluía as pessoas da sociedade, hoje o analfabetismo financeiro também exclui. Ele impede decisões mais conscientes, aumenta a vulnerabilidade a fraudes e dificulta a construção de um futuro mais alinhado aos próprios objetivos”, explica a especialista.
Por um consumo consciente!
É importante que crianças e adolescentes cresçam com a capacidade de fazer escolhas de consumo que sejam saudáveis tanto para si quanto para a sociedade. Isso envolve trabalhar a autoestima e a independência para que eles não se sintam pressionados a consumir apenas para pertencer a um grupo.
Para que essa mudança aconteça de verdade, o aprendizado precisa transbordar. “A educação financeira precisa começar na escola, mas ultrapassar seus portões. Só assim conseguimos formar crianças e adolescentes mais conscientes, com autoestima, autonomia e capacidade de fazer escolhas de consumo mais saudáveis”, diz Ana.
Guia prático
Para ajudar nesse processo de integração entre escola e casa, Ana sugere algumas atitudes simples:
- Traga a criança para o orçamento: Mostre que as escolhas da casa envolvem limites. Se vamos viajar nas férias, talvez precisemos economizar no delivery do final de semana.
- Valorize o processo, não apenas o objeto: Ensine que o dinheiro é fruto de trabalho e tempo. Isso ajuda a criança a ter mais cuidado com os próprios pertences.
- Cuidado com a comparação: Na escola, é comum o desejo de ter o que o colega tem. Estimule a autoestima da criança para que ela entenda que sua identidade não depende de marcas ou produtos.
- Seja o exemplo: Não adianta falar sobre consumo consciente se os pais compram por impulso. A criança aprende muito mais observando o comportamento dos adultos do que ouvindo sermões.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1512, de 10 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
