A endometriose é uma condição que afeta milhões de mulheres, mas ainda enfrenta um problema recorrente: o diagnóstico tardio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde, a doença atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo, sendo aproximadamente 8 milhões no Brasil.
Mesmo com essa alta incidência, muitas pacientes levam anos até descobrir o que têm. Estudos indicam que o diagnóstico pode demorar de sete a dez anos, especialmente quando os sintomas não seguem o padrão mais conhecido.
De acordo com Deborah Monteiro, médica radiologista especialista em endometriose e oncoginecologia, esse atraso está ligado à forma como os sinais aparecem. “Muitas pacientes relatam anos tratando problemas de intestino irritável ou infecções urinárias de repetição que, na verdade, eram focos de endometriose”, explica.
Sintomas que costumam passar despercebidos
Embora a dor pélvica seja o sintoma mais associado à doença, outros sinais menos conhecidos podem estar presentes e dificultar a identificação. Entre eles estão alterações intestinais que pioram durante o período menstrual, como episódios de diarreia ou constipação.
Outro sinal que chama atenção é a dor em regiões inesperadas, como ombro, pescoço ou tórax. Nesses casos, pode haver comprometimento do diafragma, o que também pode causar desconforto ao respirar.
A fadiga persistente também aparece com frequência. Trata-se de um cansaço que não melhora com descanso e está relacionado ao processo inflamatório contínuo da doença.
Sintomas urinários, como dor ou urgência para urinar durante a menstruação, também podem estar ligados à endometriose.
Além disso, dores que irradiam para as pernas ou região lombar podem indicar envolvimento de nervos na pelve.
Impactos que vão além da dor
A endometriose não afeta apenas o conforto físico. A condição também pode interferir na fertilidade. De acordo com a American Society for Reproductive Medicine, a doença está associada à infertilidade em 30% a 50% dos casos. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado um fator importante para preservar a saúde reprodutiva.
Exames de imagem ajudam a identificar a doença
A investigação da endometriose evoluiu nos últimos anos, principalmente com o avanço dos exames de imagem. Segundo Dáfne Melquíades Falcone, radiologista especialista em diagnóstico por imagem da pelve feminina, métodos como a ressonância magnética permitem mapear a extensão da doença com mais precisão.
“Essas lesões podem provocar inflamação, aderências e obstrução das trompas. Por isso, a identificação precoce é essencial. A ressonância magnética da pelve permite mapear a extensão da doença com alta precisão, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos apenas para confirmação”, explica.
Tratamento depende de cada caso
O tratamento da endometriose não é único e varia de acordo com a intensidade dos sintomas e o impacto na vida da paciente. As opções incluem desde terapias hormonais até procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos para retirada das lesões. O objetivo não é apenas aliviar a dor, mas também preservar a qualidade de vida e a fertilidade.
Nova frente de investigação: o microbioma endometrial
Além dos exames tradicionais, novas abordagens têm ampliado a compreensão sobre a saúde reprodutiva. Um dos focos recentes é o microbioma endometrial, conjunto de microrganismos presentes no útero, que pode influenciar diretamente a fertilidade. Quando está em equilíbrio, esse ambiente favorece a implantação do embrião. Alterações, por outro lado, podem estar associadas a dificuldades para engravidar.

Nesse contexto, exames baseados em Sequenciamento de Nova Geração permitem identificar desequilíbrios na microbiota uterina com maior precisão. “Quando conseguimos mapear com precisão o microbioma endometrial, abrimos caminho para intervenções muito mais assertivas e personalizadas. Esse exame nos permite entender fatores invisíveis que podem estar por trás de falhas reprodutivas e, a partir disso, melhorar significativamente as chances de implantação e de uma gestação saudável”, afirma Natália Gonçalves, superintendente de P&D e head da Reprodução Humana da Dasa Genômica.
Dor incapacitante não deve ser ignorada
Um dos principais desafios ainda é a normalização dos sintomas. Muitas mulheres convivem com dor intensa e alterações no corpo como se fossem parte da rotina. No entanto, quando esses sinais interferem no dia a dia, é importante investigar.
Resumo:
A endometriose pode se manifestar com sintomas além da cólica, como fadiga, alterações intestinais e dores em outras regiões do corpo. O diagnóstico precoce, com apoio de exames de imagem e novas tecnologias, é fundamental para preservar a qualidade de vida e a fertilidade.
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