Por Renan Pereira e Lígia Menezes
Nascido em Serrita, no interior de Pernambuco, João Gomes cresceu cercado por rádio ligado, vaquejada e música nordestina. Foi nesse ambiente que surgiu o interesse pela música, ainda na adolescência, quando começou a gravar vídeos e publicar na internet. O sucesso veio rápido: em 2021, tornou-se o artista mais ouvido do país no Spotify. Apesar da projeção nacional, ele afirma manter a ligação com as origens. “Minha infância foi simples, mas muito feliz. Muito pé no chão, muita música tocando em casa”, diz.
Nos últimos anos, o cantor ampliou o alcance da carreira com parcerias e apresentações marcantes, como a participação no especial de fim de ano de Roberto Carlos. “Fiquei sabendo do convite com antecedência, mas parecia que eu estava sonhando até subir no palco”, conta. Nos bastidores, diz ter recebido do veterano uma demonstração de generosidade e tranquilidade que considera uma verdadeira aula.
Com apenas 23 anos, João também vive uma fase de mudanças na vida pessoal. Pai de dois filhos com a influenciadora Ary Mirelle, afirma que a paternidade transformou sua forma de enxergar o mundo. Segundo ele, essa sensibilidade acaba refletida nas músicas e na maneira de interpretar.
Frequentemente comparado a Luiz Gonzaga, referência histórica do forró, João recebe a associação com respeito, mas ressalta que cada artista tem seu próprio caminho. “Ele é eterno, é cultura viva do Nordeste. Eu fico honrado, mas cada artista tem sua caminhada.”
Você foi convidado para cantar na abertura da Supercopa. Como foi a emoção deste momento e qual o seu time do coração?
Foi uma emoção grande demais! Cantar na abertura da Supercopa é aquele tipo de momento que a gente para e pensa: “Meu Deus, onde a música tá me levando?”. Eu, que sempre gostei de futebol.
Você compartilha nas redes seus momentos como pai. O que de mais especial a paternidade trouxe para você e como tem levado isto para suas músicas?
A paternidade me trouxe responsabilidade, mas principalmente sensibilidade. Depois que meus filhos nasceram, eu passei a sentir as coisas de um jeito diferente. Tudo tem mais valor. Isso vai pra música naturalmente, nas letras, na forma de cantar… tem mais verdade, mais cuidado.
João, sua participação no show do Roberto Carlos, no especial de fim de ano da TV Globo, repercutiu muito nas redes. Como se deu o convite? Pode nos falar um pouco sobre os bastidores?
Receber o convite para estar no especial do Roberto Carlos na TV Globo foi surreal. Eu fiquei sabendo com antecedência, mas parecia que eu estava sonhando até subir no palco. Nos bastidores ele foi muito generoso, tranquilo, me deixou à vontade. Foi uma aula pra mim.

Você ficou nervoso em cantar com ele?
Demais! (risos) O coração acelerou forte. Mas quando a música começou, eu respirei fundo e deixei acontecer. Foi um momento de respeito e gratidão.
Você é chamado de o “novo Luís Gonzaga”. O que pensa sobre isto?
Olha… comparar com Luis Gonzaga é uma responsabilidade gigante. Ele é eterno, é raiz, é cultura viva do Nordeste. Eu fico honrado, mas também sei que cada artista tem sua caminhada. Eu só quero continuar levando nossa música pra todo canto com respeito às origens.
Alguns especialistas acreditam que Vanessa da Mata tenha sido fundamental para sua consolidação na MPB. Como é sua amizade com ela?
A Vanessa da Mata é uma artista que eu admiro demais. Sempre foi muito generosa comigo, sempre me incentivou. Acho que na música ninguém constrói nada sozinho. Toda parceria, todo conselho, ajuda a gente a crescer. O público também teve um papel fundamental nessa consolidação.
Como sua esposa lida com o assédio das fãs? Ela tem ciúmes?
Ela é muito parceira. Claro que o assédio existe, faz parte do trabalho, mas dentro de casa a gente tem diálogo e respeito. Ela entende meu propósito e eu também faço questão de dar segurança pra ela. Família é base.
Em relação à sua espiritualidade: pode nos falar sobre suas crenças? Tem algum ritual antes de fazer um grande show?
Eu sou um homem de fé. Sempre faço minha oração antes de subir no palco, peço proteção e agradeço. Independentemente de religião, eu acredito muito em Deus e na força da gratidão. Isso me mantém com os pés no chão.
Quais são os projetos para 2026? Que novidades e parcerias podemos esperar?
O ano de 2026 vai ser de expansão. Quero lançar músicas novas, terminar de apresentar meu DVD gravado ano passado no RJ. Vem aí também muita coisa boa de Dominguinho. Estou conversando com artistas de estilos diferentes porque gosto de misturar. Nosso Brasil é gigante por essa mistura!
Como foi sua infância no interior de Pernambuco?
Eu cresci no interior, em Petrolina, no sertão de Pernambuco. Minha infância foi simples, mas muito feliz. Muito pé no chão, muita música tocando em casa, vaquejada, rádio ligada… Foi ali que eu comecei a sonhar.
Quem mais influenciou seu amor pela música?
Minha família foi essencial. Sempre tinha alguém ouvindo forró, cantando. E claro, artistas como o próprio Luiz Gonzaga fizeram parte da minha formação. Aquilo entrou no meu coração cedo.
Como pai, o que você faz para estimular seu filho na arte e música?
Eu coloco música em casa, deixo ele ver instrumentos, participar. Quero que ele descubra o que ama naturalmente, assim como aconteceu comigo.
Como é sua preparação antes de um grande show?
Eu gosto de ficar mais reservado, faço aquecimento vocal, oração, converso com a banda. Tento me concentrar pra entregar o melhor.
Tem algum cantor(a) que você ainda deseja gravar?
Tem muitos sonhos ainda. Admiro artistas de vários estilos. Muitos já tive a honra de conhecer, dividir cena. Eu sigo trabalhando e deixando Deus preparar os encontros certos.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1512, de 10 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
