A chegada de um filho transforma a rotina e as prioridades de qualquer mulher. Contudo, no Brasil, o tempo para se dedicar exclusivamente ao bebê ainda esbarra em limitações profissionais rígidas. Embora o desejo de muitas mães seja usufruir da licença-maternidade de 180 dias, a realidade do mercado é outra: apenas 6% das empresas privadas ultrapassam o período obrigatório de quatro meses. Esse cenário evidencia que, apesar dos discursos sobre valorização da família, a estrutura corporativa ainda caminha a passos lentos.
O desafio da licença-maternidade e a desigualdade de gênero
A licença-maternidade de seis meses ainda é uma exceção nas empresas brasileiras, e os números para os pais são ainda mais baixos. Segundo levantamento da VR Benefícios, 77% dos homens utilizam apenas os cinco dias garantidos por lei. Nesse sentido, essa disparidade sobrecarrega a mulher, que acaba sendo a principal responsável pelos cuidados e pelas faltas justificadas para levar os pequenos ao médico. De fato, 70% dos atestados para cuidar dos filhos são apresentados por elas.
Com efeito, essa ausência de equidade parental impacta diretamente a carreira feminina. Para Bárbara Nogueira, headhunter e mãe, o mercado ainda associa o cuidado quase exclusivamente ao feminino, o que pode gerar desaceleração profissional após a maternidade. Portanto, ampliar o tempo de convivência entre mãe e bebê não é apenas um carinho, mas uma estratégia de negócio para reter talentos e garantir que as mulheres não precisem escolher entre o sucesso e o afeto.

O que diz a lei sobre a extensão do benefício?
E você pode se perguntar: todas as empresas são obrigadas a dar os 180 dias? Analogamente ao que ocorre no setor público, as empresas privadas podem, sim, oferecer os seis meses, mas isso depende da adesão ao Programa Empresa Cidadã. Nesse caso, o governo permite que a empresa abata o valor extra do Imposto de Renda. Todavia, por ser opcional, muitas organizações ainda optam por manter o mínimo de 120 dias, deixando a decisão final nas mãos do RH ou de acordos coletivos.
Além disso, existem novidades importantes na legislação para casos delicados. Se houver internação prolongada da mãe ou do bebê (superior a duas semanas), a licença-maternidade pode ser estendida para garantir que o tempo de cuidado comece a contar apenas após a alta hospitalar. Essa medida protege o vínculo afetivo em momentos de vulnerabilidade, mas o sonho de tornar os seis meses obrigatórios para todas ainda aguarda votação no Congresso Nacional.
Equidade parental como caminho para o futuro
Em suma, valorizar a maternidade é reconhecer que o desenvolvimento humano e o econômico precisam caminhar juntos. Afinal, empresas que acolhem o tempo da vida fortalecem a lealdade de suas colaboradoras. Enquanto a lei geral não muda, o diálogo com as lideranças e a busca por empresas que possuem o selo de “Cidadã” são os melhores caminhos. Por isso, continue informada sobre seus direitos para planejar esse momento tão especial com a segurança que você e seu bebê merecem.
Resumo: Apenas 6% das empresas brasileiras oferecem a licença-maternidade de seis meses, mantendo o foco nos 120 dias obrigatórios. A falta de participação dos pais, que usam apenas 5 dias de folga em 77% dos casos, sobrecarrega as mulheres. Especialistas defendem que a extensão do benefício é vital para a retenção de talentos femininos.
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