Quando o mau hálito aparece, é comum associar o incômodo a problemas digestivos. No entanto, essa não costuma ser a principal causa. De acordo com Henrique Furlan, otorrinolaringologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, a maioria dos casos tem origem na própria boca.
“Essas situações fazem com que bactérias quebrem proteínas e aminoácidos presentes na saliva e nos restos de alimentos, gerando gases com enxofre, que têm cheiro forte. Essas substâncias são as verdadeiras responsáveis pelo odor característico da halitose”, explica. Entre os fatores mais comuns estão a saburra lingual, doenças gengivais e o acúmulo de placa bacteriana.
Problemas respiratórios também entram na lista
Quando a saúde bucal está em dia, é importante investigar outras causas. Doenças respiratórias podem contribuir diretamente para o mau hálito. Quadros como rinite e sinusite favorecem o chamado gotejamento pós-nasal, quando secreções escorrem da região nasal para a garganta.
“Esse muco carrega proteínas e células inflamatórias que alimentam as bactérias da boca, intensificando a produção de odores desagradáveis. Além disso, as inflamações persistentes no nariz também podem alterar a flora natural das vias aéreas, contribuindo para o mau hálito”, detalha Furlan. Outro fator é a respiração pela boca, comum em pessoas com nariz entupido, que reduz a produção de saliva e favorece a proliferação de bactérias.
As “bolinhas” na garganta podem explicar o odor
Algumas pessoas percebem pequenas formações esbranquiçadas na garganta, acompanhadas de cheiro forte. Esses pontos são chamados de cáseos amigdalianos. Eles se formam nas cavidades das amígdalas a partir do acúmulo de células, bactérias e muco, criando um ambiente propício para a produção de odores.
“É por isso que pacientes que sofrem com cáseos amigdalianos frequentemente relatam um gosto ruim constante na boca, uma sensação incômoda de corpo estranho na garganta e a eliminação dessas bolinhas de odor intenso”, aponta o especialista.
Chiclete resolve o problema?
O uso de chicletes é uma estratégia comum para tentar disfarçar o mau hálito, mas o efeito costuma ser temporário. “A goma de mascar não resolve o problema, e, se for um chiclete com açúcar, pode até piorar a halitose, pois as bactérias presentes na boca se alimentam de açúcares, contribuindo para a produção de substâncias que podem aumentar o mau cheiro”, explica Furlan. Versões sem açúcar podem estimular a salivação por um tempo, mas não tratam a causa.
Quando é preciso investigar mais a fundo
Se o mau hálito persiste mesmo com boa higiene bucal, é importante observar outros sinais. “O paciente deve observar se a halitose está acompanhada de sintomas como congestão nasal frequente, dor ou pressão no rosto, boca constantemente seca e amigdalites de repetição. Nesses cenários, a avaliação de um médico otorrinolaringologista é indispensável”, alerta. Esses sintomas podem indicar que a origem do problema está nas vias respiratórias ou na garganta.
Cirurgia é sempre necessária?
Em casos relacionados às amígdalas, algumas pessoas acreditam que a retirada cirúrgica é a única solução, mas isso não é regra.

“A cirurgia é considerada apenas em casos extremamente específicos, como em pacientes com mau hálito muito forte que não melhora com tratamento, formação contínua de cáseos ou amigdalites crônicas que impactem drasticamente a qualidade de vida”, finaliza Furlan.
O tratamento inicial costuma envolver medidas mais simples, como higiene adequada, lavagem nasal e acompanhamento médico.
Cuidados ajudam a prevenir o problema
Manter hábitos básicos pode fazer diferença na prevenção do mau hálito.
- Higienizar a língua diariamente
- Usar fio dental
- Beber água ao longo do dia
- Tratar alergias e problemas respiratórios
- Manter acompanhamento com dentista e médico
Resumo:
O mau hálito nem sempre tem origem no estômago e pode estar ligado a problemas na boca, garganta ou sistema respiratório. Especialistas destacam que identificar a causa é essencial para tratar o problema corretamente e evitar soluções apenas temporárias.
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