O Senado Federal aprovou, na última terça-feira (24), um projeto de lei que pode mudar de forma significativa o combate à violência de gênero no Brasil. A proposta criminaliza a misoginia e a equipara ao crime de racismo — ou seja, trata esse tipo de conduta com mais rigor na legislação.
Além disso, o texto define a misoginia como qualquer manifestação de ódio, desprezo ou aversão às mulheres baseada na ideia de superioridade masculina. Na prática, isso inclui ofensas, discriminação e até a incitação desse comportamento, inclusive no ambiente online.
Após a aprovação unânime no Senado, o projeto seguiu novamente para análise da Câmara dos Deputados. Caso os parlamentares aprovem a proposta, ela seguirá para sanção presidencial.
Misoginia: entenda o que muda com a nova proposta
A principal mudança trazida pelo projeto está no enquadramento da misoginia como crime equivalente ao racismo. Com isso, a conduta passa a ser considerada imprescritível e inafiançável. Ou seja, não perde a validade com o tempo e não permite pagamento de fiança.
Além disso, as punições se tornam mais severas. A prática de injúria motivada por misoginia pode levar a penas de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. Já casos de indução ou incitação ao preconceito podem resultar em reclusão de 1 a 3 anos.
Segundo a relatora do projeto, senadora Soraya Thronicke, a proposta busca agir na raiz do problema. “A violência começa muito antes da agressão física, e a misoginia é uma dessas etapas iniciais”, afirmou durante a votação.

Como a lei pode impactar o dia a dia das mulheres
A nova legislação amplia a proteção às mulheres ao reconhecer que a violência não começa apenas com agressões físicas. Pelo contrário, ela também se manifesta em discursos, ofensas e comportamentos discriminatórios.
Especialistas apontam que a tipificação da misoginia pode ajudar a coibir práticas comuns nas redes sociais, onde discursos de ódio costumam se espalhar com rapidez. Dessa forma, o projeto também fortalece o enfrentamento à violência digital.
Por outro lado, o texto gerou debate entre parlamentares. Enquanto alguns defenderam a importância da medida, outros levantaram questionamentos sobre a inclusão da misoginia na Lei do Racismo. Ainda assim, o plenário manteve a proposta original.
O que acontece agora com o projeto?
Agora, o projeto de lei segue para a Câmara dos Deputados. Se aprovado, ele será encaminhado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seguida, a nova regra passa a valer após publicação oficial.
No entanto, se houver veto — total ou parcial —, o texto retorna ao Congresso para nova análise. Já em caso de rejeição na Câmara, o projeto será arquivado.
Resumo: O Senado aprovou um projeto que criminaliza a misoginia e a equipara ao racismo. A medida endurece penas e amplia a proteção contra violência de gênero. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados antes de entrar em vigor.
Leia também:
59% dos motoristas de app relatam violência ou assédio
