A chamada dieta anti-inflamatória ganhou força nas redes sociais e entrou de vez nas conversas sobre saúde e emagrecimento. Muitas pessoas acreditam que ela reduz inchaço, acelera o metabolismo e ajuda a perder peso. No entanto, especialistas alertam: nem tudo o que circula por aí tem respaldo científico.
Segundo o médico nutrólogo Celso Cukier, credenciado da Omint, a dieta anti-inflamatória não é um protocolo formal validado pela ciência. Na prática, o termo virou um rótulo popular que simplifica processos biológicos complexos ao generalizar a relação entre alimentos e inflamação.
Antes de tudo, é importante entender que a inflamação faz parte dos mecanismos naturais de defesa do corpo. Ou seja, ela não é, necessariamente, algo negativo.
Dieta anti-inflamatória e inflamação crônica: qual é a relação?
A inflamação pode ser aguda ou crônica. A primeira ocorre como resposta imediata do organismo a uma infecção ou lesão. Já a inflamação crônica exige investigação médica. Portanto, antes de mudar a alimentação, o ideal é identificar a causa do processo inflamatório.
De acordo com o especialista, só faz sentido falar em ajustes alimentares quando há diagnóstico claro. Caso contrário, cortes radicais podem trazer mais prejuízos do que benefícios.

Um dos pontos mais discutidos na dieta anti-inflamatória envolve a retirada de glúten e leite. Entretanto, essa exclusão só se justifica quando exames apontam intolerância, alergia ou doença específica, como a doença celíaca. Sem essa confirmação, eliminar grupos alimentares pode comprometer a qualidade nutricional da dieta.
Além disso, restringir alimentos sem orientação profissional pode levar a deficiências importantes, principalmente quando a pessoa busca emagrecimento rápido.
Alimentação equilibrada é diferente de restrição alimentar
Estudos recentes mostram que o consumo frequente de produtos ultraprocessados, ricos em gordura saturada e sal, pode alterar a microbiota intestinal e favorecer quadros como a disbiose. Nesse sentido, a qualidade dos alimentos impacta, sim, a saúde intestinal.
No entanto, isso não significa que exista uma fórmula mágica capaz de resolver todos os problemas. O foco deve estar na alimentação equilibrada.
Modelos como a dieta mediterrânea, por exemplo, reúnem frutas, legumes, verduras, grãos integrais e fontes de antioxidantes. Consequentemente, esses padrões alimentares estimulam os mecanismos naturais de equilíbrio do organismo.
Portanto, em vez de seguir tendências, vale investir em escolhas consistentes no dia a dia. Comer comida de verdade, reduzir ultraprocessados e manter variedade no prato já promove benefícios importantes.
Para o nutrólogo, cada pessoa precisa de avaliação individualizada. Antes de associar sintomas a um alimento específico, o médico deve investigar o histórico clínico e solicitar exames quando necessário.
Resumo: A dieta anti-inflamatória virou um termo popular, mas não substitui diagnóstico e orientação profissional. Além disso, cortar alimentos sem necessidade pode prejudicar a saúde. Por isso, priorize equilíbrio, variedade e acompanhamento médico sempre que surgirem dúvidas.
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