Como explicar para uma criança que ela vai precisar deixar os amigos, os professores e o lugar onde já se sentia segura? A mudança de escola costuma chegar assim: como uma decisão prática que, aos poucos, revela um impacto emocional profundo. Para quem acompanha esse processo de perto, surgem dúvidas, inseguranças e a sensação de estar sempre pisando em terreno instável.
A adaptação escolar envolve pertencimento, identidade e segurança emocional. Saiba quando observar com mais atenção e como oferecer apoio sem aumentar a ansiedade de seu filho.
Sentimentos a mil
Trocar de escola costuma provocar um turbilhão de emoções. Insegurança, ansiedade, medo do desconhecido, tristeza por deixar amigos e professores, curiosidade e expectativa costumam caminhar juntas – e isso tudo faz parte do processo. “Essas emoções são esperadas em qualquer transição”, diz Marília Scabora, psicóloga obstétrica e fundadora da Comunidade Tribo Mãe, em entrevista à AnaMaria.
O sinal de alerta aparece quando esses sentimentos se intensificam ou não diminuem com o tempo. “Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, crises frequentes de choro, regressões importantes no desenvolvimento, queixas físicas recorrentes, queda significativa no rendimento escolar ou recusa persistente em ir à escola merecem atenção”, detalha.
Como preparar o terreno
A adaptação começa antes do último dia de aula na escola antiga. Conversar sobre o que vai acontecer, de forma clara e adequada à idade, ajuda a reduzir fantasias e medos. Validar sentimentos, sem tentar corrigi-los, fortalece a segurança emocional da criança.
Sempre que possível, envolver a criança no processo faz diferença. Visitar a escola antes do início das aulas, conhecer o espaço, entender a rotina e ter alguma referência concreta diminui a sensação de desconhecido. “Quando os pais demonstram segurança, a criança sente que não está sozinha nesse desafio”, afirma Marília.
Na escola nova…
Nos primeiros dias, a previsibilidade é uma grande aliada. Manter rotinas, estar emocionalmente disponível e demonstrar interesse genuíno pelo dia da criança ajudam a criar continuidade em meio à mudança. Pequenos rituais cotidianos trazem segurança, como:
- Antes da criança ir para a escola, uma despedida curta e carinhosa, sempre do mesmo jeito.
- Combinar um momento do dia para conversar sobre como foi a escola, durante o jantar ou enquanto guardam os brinquedos.
- Manter horários previsíveis para refeições e sono.
O que pode atrapalhar é a ansiedade excessiva dos adultos. Despedidas longas e dramáticas no portão da escola, comparações com outras crianças ou tentativas de minimizar sentimentos acabam aumentando o medo e a insegurança.

Acolha, sempre!
Quando a criança diz que não quer ir à escola, acolher não significa desistir do processo. Nomear o sentimento ajuda a organizar emoções e transmite compreensão. Depois, é importante reforçar a confiança, mostrando que ela é capaz de atravessar esse momento com apoio.
Frases que reconhecem a dificuldade sem alimentar o medo ajudam a construir segurança emocional e continuidade.
Cada fase pede uma adaptação diferente
A idade influencia bastante a forma como o desconforto aparece. Crianças pequenas costumam expressar pelo corpo e pelo comportamento: choro, irritabilidade e regressões. Elas precisam de rotina, previsibilidade e segurança emocional.
Já os adolescentes vivenciam a mudança de forma mais interna. Podem se fechar, demonstrar resistência ou aparente desinteresse. “Para os mais velhos, o pertencimento ao grupo e a construção da identidade são centrais. O diálogo aberto, sem julgamentos, e o respeito ao espaço emocional fazem muita diferença”, diz Marília.
Quando buscar ajuda?
Procurar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas de cuidado. “Buscar apoio faz diferença quando, apesar do acolhimento e das tentativas, a criança continua sofrendo de forma intensa”, explica Marília. O acompanhamento psicológico ajuda a nomear emoções, elaborar perdas e fortalecer recursos internos.
“Quanto antes esse suporte acontece, mais leve tende a ser o processo para toda a família”, afirma.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1506, de 30 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








