Durante muito tempo, a ciência afirmou que certas lesões eram definitivas. No entanto, a trajetória da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio começa a desafiar esse consenso. Aos 59 anos, a pesquisadora lidera um estudo inovador que investiga o potencial regenerativo da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, capaz de abrir novos caminhos para a recuperação de lesões medulares.
Tatiana Coelho de Sampaio e a descoberta que pode mudar a medicina
A informação central desta história está na chamada polilaminina, uma versão derivada da laminina. Essa substância atua como um verdadeiro “andaime biológico”, oferecendo suporte para que os axônios — estruturas responsáveis por transmitir impulsos nervosos — consigam se reconstruir após uma lesão. Em outras palavras, a técnica cria um ambiente favorável para que o sistema nervoso volte a se organizar.
A pesquisa acontece na Universidade Federal do Rio de Janeiro e utiliza material de placentas humanas. Quando aplicada por injeção diretamente na área lesionada da medula espinhal, a polilaminina funciona como uma espécie de cola biológica. Assim, as células encontram um caminho para restabelecer conexões interrompidas por acidentes ou episódios de violência.
Além disso, resultados iniciais chamam atenção. Pelo menos 16 pacientes conseguiram autorização judicial para o uso experimental da substância. Desse grupo, cinco já apresentaram retorno parcial dos movimentos, o que reforça o potencial da laminina na regeneração neural.
Laminina: como a proteína atua na regeneração neural
A laminina participa desde cedo da formação do organismo. Ela está presente no desenvolvimento do embrião e exerce papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular. Por isso, pesquisadores acreditam que sua versão potencializada pode “reensinar” o corpo a se regenerar.

No início deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos. Essa etapa avalia principalmente a segurança da substância. Depois disso, outras duas fases ainda serão necessárias para comprovar eficácia e viabilizar o tratamento em larga escala. Ou seja, o caminho é longo, mas os primeiros sinais são animadores.
Uma cientista que entra para a história
Caso os resultados se confirmem, Tatiana Coelho de Sampaio pode se juntar a nomes históricos como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e César Lattes, que colocaram o Brasil no mapa da ciência mundial. Além disso, o feito representaria uma virada definitiva na forma como a medicina enxerga as lesões medulares.
Enquanto isso, Tatiana segue com discrição e dedicação. Mãe de três filhos, ela ampliou sua maternidade simbólica ao acolher pacientes que, até pouco tempo atrás, conviviam apenas com diagnósticos irreversíveis.
Resumo: A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio lidera uma pesquisa inédita sobre a laminina e seu papel na regeneração de lesões medulares. A substância cria um ambiente favorável para reconstrução dos circuitos nervosos. Resultados iniciais já indicam recuperação parcial de movimentos em pacientes. O avanço pode mudar o futuro da medicina e da reabilitação.
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