O Carnaval é o período de maior desgaste físico do ano para milhões de brasileiros. No entanto, por trás da euforia dos blocos e trios elétricos, esconde-se um cenário ideal para a propagação de doenças. Segundo o Dr. Bruno Bastos Chaves, especialista em Alergia e Imunologia Clínica com mais de 14 anos de experiência, o corpo passa por uma “tempestade perfeita” que abre as portas para vírus e bactérias.
Você sabe por que as viroses aumentam após o Carnaval? “As aglomerações facilitam a transmissão de patógenos respiratórios, como os vírus da Influenza (gripe), COVID-19 e Rinovírus, através de gotículas no ar e contato próximo. Ainda, o hábito de compartilhar copos, garrafas e talheres aumenta significativamente o risco. Além disso, a Mononucleose (Doença do Beijo), transmitida pela saliva, é particularmente comum neste período”, explica o médico.
Entenda o fenômeno da Imunossupressão Temporária
Muitos foliões acreditam que o mal-estar pós-festa é apenas cansaço, mas o especialista explica que ocorre uma imunossupressão temporária. O corpo é submetido a um estresse físico e metabólico intenso, desviando recursos do sistema imunológico para a recuperação muscular e a manutenção de funções vitais sob sobrecarga.
“Nesse contexto de baixa defesa e alta exposição a patógenos, ocorrem mais facilmente o surgimento de gripes, viroses intestinais, infecções de garganta e mal-estar geral”, afirma o Dr. Bruno. Segundo ele, os três maiores vilões da Imunidade são a privação de sono, o consumo de álcool e o estresse. “Quando não temos o sono reparador se reduz a produção de citocinas, proteínas que organizam nossas células de defesa, e diminui a eficácia das células T (linfócitos), cruciais contra vírus”.
Além de inflamatório e desidratante, o álcool inibe a resposta imediata dos glóbulos brancos e afeta a microbiota intestinal, onde reside grande parte das nossas células de defesa. “Ainda, dançar por horas eleva os níveis de cortisol e cria um cenário de estresse no organismo pelo fato de nos mantermos alertas e em movimento sem descanso. Em picos intensos, este hormônio inibe a resposta imunológica necessária para combater invasores”.
Quem tem alergias deve tomar cuidado redobrado

Pacientes com rinite ou asma enfrentam riscos maiores, já que suas vias aéreas já possuem um estado inflamatório crônico. “A exposição à fumaça, poluição, sprays de espuma e mudanças de temperatura pode desencadear crises severas. Uma mucosa nasal inflamada pela rinite é menos eficiente em filtrar vírus, facilitando a infecção. Além disso, infecções virais são gatilhos frequentes para crises de asma”, alerta.
A pedido de Ana Maria Revista, o Dr. Bruno, membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, listou cuidados para que você aproveite esses dias sem comprometer sua saúde.
– Mantenha a hidratação constante: beba água para manter as mucosas hidratadas (barreira física contra vírus).
– Faça uma alimentação estratégica priorizando frutas, verduras e legumes e evite gorduras e ultraprocessados.
– Execute uma higiene rigorosa lavando as mãos frequentemente e evite tocar o rosto.
– Modere o consumo de álcool: intercale cada copo de bebida alcoólica com água para minimizar a desidratação.
– Faça um descanso mínimo: tente garantir algumas horas de sono reparador para a produção de citocinas.
– Esteja em dia com sua saúde. Alérgicos devem seguir rigorosamente o tratamento prescrito, manter as vacinas antialérgicas em dia e ter sempre em mãos a medicação de resgate.








