Ter uma ave como animal de estimação exige mais atenção do que muita gente imagina. Cada espécie tem necessidades próprias, comportamentos distintos e uma rotina que precisa ser respeitada para garantir bem-estar e saúde. Estima-se que existam mais de 12 mil espécies de aves no mundo, mas apenas algumas são indicadas para a convivência doméstica, sempre respeitando a legislação ambiental e a origem legal do animal.
Antes de escolher um pássaro como pet, é fundamental entender como ele vive, o que come, como deve ser o espaço onde mora e quais cuidados fazem parte da rotina.
Nem toda ave pode ser criada em casa
Existem diferentes grupos de aves espalhados pelo mundo, adaptados a ambientes terrestres, aquáticos e aéreos. A maioria das espécies não é indicada para criação doméstica, seja por questões legais, seja pelas necessidades específicas de espaço e comportamento. Entre as aves mais comuns como pets, estão espécies de pequeno porte, com boa adaptação ao convívio humano e manejo mais simples:
Calopsitas, conhecidas pela interação com o tutor e pela capacidade de emitir sons do ambiente;
Canários, valorizados pelo canto e comportamento tranquilo;
Periquitos, indicados para quem está começando, por serem resistentes e fáceis de cuidar;
Diamante de Gould e diamante mandarim, aves pequenas e coloridas, que se adaptam bem à rotina doméstica;
Manons, de porte pequeno e comportamento sociável.
A aquisição deve ser feita sempre em estabelecimentos legalizados, com documentação adequada, para evitar problemas legais e garantir a saúde do animal.
Como deve ser a gaiola e o ambiente da ave?
A gaiola precisa ser proporcional ao tamanho da ave e permitir que ela se movimente, abra as asas e se exercite. Espaços muito pequenos limitam o comportamento natural e favorecem o estresse.
O local deve ser tranquilo, protegido de correntes de vento, sol direto excessivo e longe de fumaça, cheiros fortes e barulhos constantes. Poleiros em alturas diferentes, brinquedos adequados e estímulos visuais ajudam no enriquecimento ambiental e reduzem comportamentos repetitivos.
A limpeza da gaiola deve ser frequente, com atenção especial aos recipientes de água e alimento.
Alimentação
Na natureza, aves consomem uma grande variedade de sementes, frutas e outros alimentos. Já em casa, onde o gasto energético é menor, a dieta precisa ser controlada para evitar deficiências nutricionais. Para garantir o equilíbrio nutricional, melhor optar por rações indicadas para cada espécie.
Frutas, legumes e verduras podem ser oferecidos ocasionalmente, como complemento e enriquecimento alimentar, sempre com orientação profissional. Entre os alimentos permitidos estão maçã sem sementes, banana, mamão, manga, pera, cenoura, milho, vagem, ervilha e folhas verde-escuras.
Alguns alimentos são tóxicos para aves, como abacate e cebola, e não devem ser oferecidos em hipótese alguma. Verduras muito claras, como alface, também podem causar problemas digestivos.
Em alguns períodos da vida da ave, podem ser necessários suplementos vitamínicos – mas apenas um veterinário poderá orientar.

Acompanhamento veterinário
Aves costumam esconder sinais de doença, o que torna os check-ups ainda mais importantes. A recomendação é realizar avaliações periódicas, especialmente antes de períodos como mudança de penas e reprodução.
Com o acompanhamento adequado, é possível ajustar a alimentação, identificar alterações precocemente e garantir mais qualidade de vida ao animal.
Posse responsável e combate ao tráfico de aves
No Brasil, um dos países com maior biodiversidade do mundo, o tráfico de animais silvestres segue como um problema grave. Estima-se que cerca de 38 milhões de animais sejam traficados por ano por aqui, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). No caso das aves, espécies como araras, papagaios, periquitos e passarinhos estão entre as mais visadas. O impacto é devastador: de cada dez animais retirados da natureza, nove morrem antes mesmo de chegar ao consumidor final, em razão das condições precárias de captura, transporte e confinamento.
A posse responsável começa na origem do animal. Aves de estimação devem ser adquiridas apenas em criadouros e estabelecimentos certificados, com documentação que comprove a procedência legal. Comprar animais sem origem conhecida alimenta um ciclo ilegal que envolve exploração, maus-tratos e perda da biodiversidade.
A legislação brasileira proíbe o tráfico e a comercialização ilegal de animais silvestres, com penas previstas em lei.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1505, de 23 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








