Bloco na rua, horas em pé, calor intenso e, muitas vezes, refeições improvisadas. A combinação típica do Carnaval pode ser divertida, mas também exige atenção redobrada com o corpo. Em meio à maratona de festas, escolhas simples na alimentação e na hidratação ajudam a manter o ritmo sem transformar a folia em ida ao pronto-socorro.
Segundo Daniel Magnoni, nutrólogo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o período concentra fatores que favorecem intercorrências de saúde. “Hoje, a principal preocupação é prevenir complicações de saúde comuns nesse período, como distúrbios gastrointestinais, desidratação e sobrecarga muscular. No Carnaval, é muito comum a pessoa passar horas nos blocos, se alimentar mal, beber pouco líquido e acabar sentindo os efeitos no corpo”, explica.
A seguir, veja como organizar a rotina alimentar para atravessar o feriado com mais disposição.
Energia constante começa no prato
Ficar muitas horas sem comer pode resultar em tontura, fraqueza e queda de pressão. Por isso, a recomendação é fracionar as refeições ao longo do dia e optar por preparações leves, com variedade de nutrientes.
Alimentos muito gordurosos, açucarados ou ricos em sal dificultam a digestão e favorecem mal-estar, especialmente sob altas temperaturas. Pratos pesados, excesso de queijo e molhos concentrados também podem causar desconforto abdominal.
Daniel orienta atenção especial aos alimentos vendidos na rua ou mantidos sob calor. Molhos à base de maionese, creme ou preparações com chantilly deterioram com facilidade e aumentam o risco de intoxicação alimentar.

Cuidado redobrado com sódio e embutidos
Enlatados, conservas e embutidos concentram grandes quantidades de sódio e aditivos. Em dias quentes, o consumo excessivo desses produtos pode contribuir para retenção de líquidos e sobrecarga cardiovascular.
Carnes muito gordurosas ou malpassadas também merecem cautela, tanto pela digestão mais lenta quanto pelo risco de contaminação quando manipuladas em ambientes quentes.
Em contrapartida, frutas, legumes e verduras ajudam a repor vitaminas, minerais e líquidos perdidos no suor. Além disso, contribuem para o funcionamento intestinal, frequentemente afetado por mudanças na rotina.
Água é prioridade, não coadjuvante
O calor e a movimentação intensa elevam a perda de líquidos. A hidratação constante é essencial para evitar dor de cabeça, câimbras, tontura e queda de rendimento físico.
A recomendação geral é ultrapassar dois litros de água por dia, podendo ser mais em caso de exposição prolongada ao sol. Sucos naturais e chás também podem contribuir, mas não substituem a água.
Álcool exige estratégia
Bebidas alcoólicas favorecem a desidratação e podem mascarar sinais de cansaço. Intercalar cada dose com um copo de água reduz parte dos efeitos negativos. A mistura de diferentes tipos de bebida aumenta o risco de exagero sem percepção clara da quantidade ingerida.
Evitar destilados em excesso e manter a alimentação adequada antes e durante o consumo ajuda a minimizar impactos no organismo.
Corpo inteiro entra na conta
Além da alimentação, o cuidado deve incluir pausas, alongamentos e uso de calçados adequados. Permanecer muitas horas em pé pode sobrecarregar articulações e musculatura.
“Com atenção à alimentação, hidratação adequada e moderação, o Carnaval pode ser vivido com mais energia, segurança e disposição. Pequenas escolhas ao longo do dia ajudam o corpo a enfrentar o calor, a maratona dos blocos e as longas horas de festa, garantindo que a maior preocupação seja apenas aproveitar a folia até o último dia”, conclui Daniel.
Resumo:
Durante o Carnaval, calor, esforço físico e alimentação irregular aumentam o risco de desidratação e mal-estar. Manter refeições leves, fracionadas e priorizar a ingestão de água são medidas essenciais para atravessar a folia com mais segurança e disposição.
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