Olhar para o próprio corpo com atenção costuma revelar pequenos detalhes que antes passavam despercebidos. Uma pinta nova no braço, manchas que surgem no rosto, verrugas discretas no pescoço. Essas marcas fazem parte da história da pele e, na maioria das vezes, representam alterações benignas. Ainda assim, entender por que aparecem ajuda a diferenciar o que é esperado do que exige avaliação médica.
A pele é o maior órgão do corpo humano e está em constante renovação. Ao longo da vida, ela responde à genética, aos hormônios, ao envelhecimento e à exposição ambiental. O resultado é um mosaico de sinais que se transformam com o tempo.
O que são as pintas e por que elas surgem?
As pintas, chamadas tecnicamente de nevos melanocíticos, são áreas onde há maior concentração de melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Elas podem estar presentes desde o nascimento ou surgir durante a infância, adolescência e início da vida adulta.
O aparecimento dessas marcas está ligado principalmente a dois fatores: predisposição genética e exposição solar. Pessoas com histórico familiar de muitas pintas tendem a desenvolver mais nevos ao longo da vida. Já a radiação ultravioleta estimula os melanócitos, favorecendo o surgimento de novas lesões pigmentadas.
Em geral, os nevos são arredondados, de cor uniforme e crescimento lento. Mudanças bruscas no formato, na tonalidade ou no tamanho devem ser avaliadas por um dermatologista.
Manchas escuras, sardas e marcas do tempo
Nem toda alteração de cor na pele é uma pinta. Sardas, conhecidas como efélides, aparecem com mais frequência em pessoas de pele clara e costumam se intensificar com a exposição ao sol. Já as chamadas manchas solares, comuns após os 40 anos, refletem o acúmulo de radiação ao longo da vida.
Alterações hormonais também influenciam a pigmentação. Gravidez, uso de anticoncepcional e variações hormonais da menopausa podem desencadear manchas, como o melasma, que atinge principalmente o rosto.
O envelhecimento natural da pele também favorece o surgimento de marcas. Com o passar dos anos, a capacidade de regeneração celular diminui, e alterações pigmentares tornam-se mais frequentes.
Verrugas e sinais elevados
As verrugas têm origem diferente das pintas. Muitas são causadas por infecção pelo vírus HPV, que estimula o crescimento exagerado das células da pele. Outras lesões elevadas, como os chamados acrocórdons, pequenas “bolinhas” que surgem em regiões de dobra como pescoço e axilas, estão relacionadas a fatores como atrito, predisposição genética e alterações metabólicas.
Essas lesões costumam ser benignas, mas o diagnóstico correto depende de avaliação clínica. Nem toda elevação na pele é verruga, e nem toda verruga deve ser tratada da mesma forma.
Genética e estilo de vida caminham juntos
A tendência a desenvolver mais pintas, manchas ou verrugas pode ser herdada. No entanto, o estilo de vida influencia diretamente a quantidade e a intensidade dessas alterações.
Exposição solar frequente sem proteção, histórico de queimaduras na infância, falta de uso de filtro solar e ausência de acompanhamento dermatológico aumentam o risco de alterações cutâneas ao longo dos anos.
Por outro lado, hábitos de proteção ajudam a preservar a saúde da pele e reduzem o surgimento de novas lesões pigmentadas.

Quando é preciso investigar?
A maioria das marcas cutâneas é inofensiva. Ainda assim, algumas características exigem atenção. Sinais assimétricos, com bordas irregulares, cores variadas, crescimento acelerado ou sintomas como coceira, dor e sangramento devem ser avaliados.
A regra conhecida como ABCDE pode auxiliar na autoavaliação inicial:
A de assimetria
B de bordas irregulares
C de cor heterogênea
D de diâmetro aumentado
E de evolução ou mudança recente
A observação regular do próprio corpo é uma forma de cuidado. Pessoas com grande quantidade de pintas ou histórico familiar de câncer de pele devem manter consultas periódicas com dermatologista.
Resumo:
Pintas, manchas e verrugas surgem por combinação de genética, exposição solar, hormônios e envelhecimento. A maioria é benigna, mas mudanças rápidas em forma, cor ou tamanho exigem avaliação médica. Observar a própria pele e usar proteção solar são medidas essenciais de cuidado.
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