O crescimento acelerado da busca por medicamentos para emagrecimento tem exposto um problema grave de saúde pública no Brasil, o aumento do contrabando de substâncias injetáveis e o uso de compostos sem qualquer liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Impulsionados por promessas de perda de peso rápida, muitos pacientes recorrem a produtos adquiridos pela internet, em farmácias de manipulação irregulares ou até trazidos do exterior sem controle sanitário.
Nos últimos meses, autoridades sanitárias e entidades médicas vêm alertando para casos de eventos adversos graves associados ao uso dessas substâncias, incluindo internações e relatos de óbitos em investigação. A ausência de rastreabilidade, controle de qualidade e prescrição adequada transforma o que deveria ser um tratamento médico em um risco real à vida, especialmente quando utilizado sem acompanhamento profissional.
De acordo com a médica Dra. Gabriela Bernardes, especializada em emagrecimento e reposição hormonal, um dos principais problemas atuais envolve o uso da tirzepatida obtida por meios ilegais. “Quando essa substância chega ao paciente por contrabando ou por canais não regulamentados, não há garantia de procedência, dose correta ou armazenamento adequado. Isso compromete totalmente a segurança do tratamento”, explica.
A especialista também chama atenção para a proliferação de farmácias de manipulação que oferecem versões não autorizadas desses medicamentos. “Existem estabelecimentos manipulando substâncias sem qualquer respaldo técnico ou regulatório. O paciente acredita estar se tratando, mas na verdade está se expondo a riscos imprevisíveis, como infecções, reações adversas graves e falhas metabólicas”, afirma.
Outro ponto de preocupação destacado por Dra. Gabriela é o uso crescente de peptídeos e da retatrutida, substância que ainda não possui liberação da Anvisa para uso no Brasil. Segundo ela, muitas pessoas estão importando esses produtos ou adquirindo de forma informal. “São compostos que ainda estão em estudo ou sequer aprovados para uso clínico no país. Utilizá-los fora de protocolos oficiais é extremamente perigoso”, alerta.
Para a médica, o cenário evidencia a necessidade urgente de informação e conscientização. “Não existe atalho seguro quando falamos de saúde. Emagrecimento é um processo que precisa ser individualizado, acompanhado e baseado em evidência científica. O uso indiscriminado dessas substâncias pode trazer consequências sérias e irreversíveis”, conclui Dra. Gabriela Bernardes, reforçando a importância de buscar sempre orientação médica e tratamentos regularizados.








