A discussão sobre o futuro do trabalho ganhou novos contornos no Brasil. Em meio ao movimento de empresas que anunciam a volta ao regime 100% presencial, os profissionais seguem valorizando modelos mais flexíveis. Segundo a pesquisa “Tendências em Carreiras”, da Serasa Experian, 37,3% dos entrevistados acreditam que o trabalho híbrido ou remoto será o principal fator de impacto em suas carreiras até 2030.
Mais do que uma tendência passageira, essa escolha revela uma mudança estrutural. Após o avanço do home office na pandemia, muitos trabalhadores passaram a repensar prioridades, rotinas e expectativas. Assim, o trabalho híbrido deixou de ser um benefício e passou a influenciar decisões de longo prazo.
O levantamento também aponta que a busca por flexibilidade caminha junto com o desejo de viver melhor, sem abrir mão de um plano de carreira.
Trabalho híbrido redefine prioridades e decisões de carreira
O estudo revelou que para 47,4% dos brasileiros, manter qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o critério mais importante ao planejar a carreira. Esse fator supera, por exemplo, trabalhar com propósito (16,2%), crescer rapidamente (15%) ou garantir estabilidade (11,6%).
Ou seja, o trabalho remoto e os modelos flexíveis passaram a ser vistos como aliados diretos do bem-estar. Ou seja, muitos profissionais avaliam não apenas salários, mas também a possibilidade de organizar melhor o tempo, reduzir deslocamentos e estar mais presentes na vida pessoal.

Segundo Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, a flexibilidade se tornou estratégica. “Ela pesa não só na escolha de um emprego, mas também na decisão de permanecer ou buscar novas oportunidades”, afirma. Portanto, o modelo de trabalho flexível já faz parte do planejamento de carreira no longo prazo.
Empresas do futuro apostam em modelo de trabalho flexível
Essa mudança de mentalidade também afeta a imagem das organizações. Para 37,9% dos entrevistados, oferecer modelo de trabalho flexível é um dos principais atributos das chamadas empresas do futuro. Esse percentual supera fatores como programas de desenvolvimento de carreira (33,5%) e lideranças acessíveis (25,5%).
Enquanto isso, companhias que insistem em formatos engessados podem enfrentar mais dificuldade para atrair e reter talentos. Afinal, o trabalho remoto e o híbrido passaram a ser vistos como sinais de modernidade, confiança e adaptação aos novos tempos.
“Esses dados oferecem um parâmetro claro para as empresas avaliarem seus modelos”, conclui Fernanda. Segundo ela, a flexibilidade impacta diretamente o engajamento e a competitividade no médio prazo.
A pesquisa “Tendências em Carreiras” foi realizada em dezembro de 2025 com 3.828 brasileiros, majoritariamente analistas e estudantes, de áreas como Operações e Vendas.
Resumo: O trabalho híbrido se consolidou como fator decisivo nas escolhas profissionais dos brasileiros. A flexibilidade lidera as prioridades, superando salário e estabilidade. Empresas que apostam em modelos flexíveis tendem a sair na frente. O futuro do trabalho já começou.
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