A troca de emissora aconteceu rápido e ganhou contornos de virada de carreira. A saída de Cariúcha do elenco do SBT encerrou um ciclo em que ela se consolidou como comentarista popular, direta e conectada às redes sociais. A entrada no comando do SuperPop, por sua vez, abre um cenário mais complexo do que parece à primeira vista, com riscos e oportunidades bem delimitados.
O movimento ocorre em um momento delicado da televisão aberta, marcado por mudanças de hábito do público e por programas que lutam para manter relevância em meio à fragmentação da audiência. Assumir um formato já conhecido do público pode ser tanto uma alavanca quanto um freio, dependendo de como a transição será conduzida.
Um programa com identidade consolidada
Criado no início dos anos 2000, o SuperPop construiu uma marca própria ao longo dos anos, baseada em debates, entrevistas e temas ligados ao entretenimento e ao comportamento. A atração ficou fortemente associada à condução de Luciana Gimenez, que esteve à frente do programa por mais de duas décadas.
Dados históricos do Kantar Ibope Media mostram que, mesmo com oscilações, o SuperPop manteve presença estável na grade da RedeTV!, com médias inferiores às das grandes redes, mas suficientes para garantir continuidade. Isso significa que a nova apresentadora herda um formato reconhecido, porém com limitações claras de alcance.
Novo ritmo
Antes da mudança, Cariúcha vinha ocupando um espaço diário no Fofocalizando, atração voltada ao comentário de celebridades e assuntos populares. O programa, exibido pelo SBT, dialoga diretamente com a linguagem que ela já domina: respostas rápidas, opinião direta e interação constante com o público.
A diferença é que o SuperPop exige outro ritmo. A apresentação envolve condução de entrevistas, controle de debates em estúdio e maior tempo de exposição individual. Pesquisas sobre formatos de talk show, como as reunidas pelo Observatório da Televisão da USP, indicam que a transição de comentarista para apresentador titular costuma ser um dos desafios mais sensíveis da carreira televisiva.
Mais responsabilidade
Em termos numéricos, o novo posto representa uma vitrine menor. Segundo dados públicos do Kantar Ibope Media, a RedeTV! costuma registrar médias de audiência significativamente inferiores às do SBT em horário nobre. Em contrapartida, o protagonismo é maior: Cariúcha deixa de dividir espaço para assumir a responsabilidade integral pela condução do programa.
Esse tipo de troca é comum em trajetórias de comunicadores que buscam reposicionamento. Estudos do mercado audiovisual apontam que, em emissoras menores, o apresentador ganha liberdade editorial e visibilidade interna, ainda que fale para um público reduzido.
Expectativa
Outro elemento que adiciona tensão à estreia é o fato de Cariúcha ocupar a vaga deixada por uma apresentadora com forte identificação com o formato. A substituição tende a gerar comparações inevitáveis, sobretudo nas primeiras semanas. Pesquisas sobre recepção televisiva mostram que o público costuma reagir de forma mais crítica em fases de transição, avaliando postura, linguagem e condução antes mesmo de se adaptar à mudança.
Nesse cenário, a expectativa não está apenas nos números de audiência, mas na capacidade de imprimir identidade própria sem descaracterizar o programa.
Quanto Cariúcha vai ganhar na RedeTV?
Além do impacto artístico, a mudança também chama atenção pelos bastidores financeiros. Informações divulgadas pela imprensa especializada indicam que o contrato firmado com a RedeTV! prevê um salário fixo em torno de R$ 15 mil mensais, além de cerca de R$ 3 mil por ação de merchandising exibida no programa. O valor é considerado modesto para padrões históricos da televisão aberta e bem inferior ao salário pago à antiga apresentadora.
O dado ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. A aposta não está no retorno imediato, mas na possibilidade de consolidação em um novo papel, com ganhos futuros atrelados à permanência e ao desempenho no comando da atração.
Resumo:
A ida de Cariúcha para o SuperPop marca uma transição de comentarista para apresentadora titular. O novo posto oferece mais protagonismo, mas menor alcance de audiência. O desafio envolve adaptação de linguagem, comparação inevitável com a antiga apresentadora e um contrato financeiro mais enxuto.
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