Por Dr. Leandro Gregório – Cirurgião Plástico, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
O avanço dos tratamentos para obesidade — incluindo medicamentos mais modernos e a cirurgia bariátrica — tem ajudado milhares de pessoas a perder peso e recuperar qualidade de vida. Mas existe um efeito colateral pouco falado dessa vitória: o excesso de pele.
Depois de grandes perdas de peso, a pele que foi esticada por anos nem sempre consegue retrair. O resultado não é apenas uma questão estética. Em muitos casos, estamos falando de um problema funcional e de saúde.
Quando a pele em excesso deixa de ser aparência e vira doença
Dobras de pele no abdômen, mamas, braços, coxas e costas podem causar:
Assaduras frequentes: O atrito constante entre as dobras gera vermelhidão, ardência e feridas dolorosas, especialmente em dias quentes.
Infecções de pele: Ambientes úmidos e abafados favorecem fungos e bactérias. Intertrigos (inflamações nas dobras) podem se tornar crônicos, com mau cheiro, secreção e necessidade de uso repetido de pomadas e antibióticos.
Impacto na mobilidade: O peso do excesso de pele abdominal (o chamado “avental”) pode alterar a postura, dificultar a prática de exercícios e até atrapalhar atividades simples do dia a dia.
Dor lombar: O volume e o peso anterior do abdômen podem sobrecarregar a coluna, piorando dores lombares e posturais.
Dificuldade de higiene: Em alguns casos, manter a pele limpa e seca se torna um desafio diário, o que perpetua inflamações e infecções.
Por isso que a cirurgia deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a ser um tratamento reparador.
Quais cirurgias plásticas são indicadas após a perda de peso
Os procedimentos variam conforme a região afetada:
✔ Abdominoplastia ou dermolipectomia abdominal – remove o excesso de pele do abdômen e corrige a flacidez muscular
✔ Braquioplastia – trata o excesso de pele nos braços
✔ Cruroplastia – remove pele excedente das coxas
✔ Mastopexia – reposiciona e trata a flacidez das mamas
✔ Paniculectomia – retirada do “avental abdominal” quando há indicação funcional clara
Essas cirurgias melhoram a mobilidade, reduzem infecções de repetição e aliviam dores — ou seja, têm impacto direto na saúde.
Nem todo mundo que emagrece está pronto para a cirurgia imediatamente. Por isso, é importante estar com o peso estável por pelo menos 6 a 12 meses, manter uma boa nutrição (deficiências de vitaminas e proteínas prejudicam cicatrização) e deixar de lado o tabagismo.
O objetivo é garantir segurança e um resultado duradouro após a perda de peso.
É estética ou é reparadora?
Muitas pessoas se sentem culpadas por querer operar, como se fosse “vaidade”. Mas quando há dor, infecção recorrente e limitação funcional, estamos falando de saúde. Inclusive, em algumas situações bem documentadas, esses procedimentos podem ser considerados reparadores por planos de saúde ou pelo sistema público, desde que haja indicação médica e comprovação do impacto clínico.
É importante entender que o processo de perda de peso não termina na balança. Psicólogos, nutricionistas, endocrinologistas e cirurgiões plásticos atuam juntos para garantir que a transformação física venha acompanhada de equilíbrio emocional e manutenção do peso.
A cirurgia pós-emagrecimento não é sobre “perfeição”. É sobre conforto, funcionalidade e qualidade de vida. Depois de uma jornada tão grande de perda de peso, viver bem dentro do próprio corpo também faz parte do tratamento.
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