A perfumaria masculina vive um momento de transformação profunda, guiada por consumidores que buscam mais do que apenas um aroma marcante. Hoje, fragrâncias passaram a representar identidade, estilo de vida e até uma forma de expressão pessoal. Segundo o perfumista Cesar Veiga, o movimento acompanha uma mudança global no comportamento de consumo, que valoriza autenticidade, sofisticação e experiências sensoriais completas.
“A perfumaria masculina acompanha um movimento amplo de transformação do mercado como um todo. Globalmente, vemos um consumidor em busca de fragrâncias que expressam identidade, autenticidade e emoção, com composições mais bem construídas e maior tempo de evolução na pele”, explica.
O crescimento dos eaux de parfum, o uso de matérias-primas mais trabalhadas e fragrâncias que contam histórias refletem esse novo momento. No Brasil, esse cenário ganha características próprias, impulsionado por um público que tem forte conexão com perfumes e se permite experimentar.
“No Brasil, esse movimento ganha um contorno muito particular. O consumidor brasileiro é profundamente conectado às fragrâncias, usa com frequência e se permite experimentar. Ele valoriza opções que tenham personalidade, mas também versatilidade para acompanhar diferentes momentos do dia.”
Entre as tendências que começam a se destacar está o layering, técnica de sobreposição de fragrâncias para criar um cheiro único e personalizado. “O consumidor masculino está mais aberto a personalizar o seu cheiro, combinando notas ou ajustando a intensidade de acordo com a ocasião”, afirma Cesar.
No campo olfativo, novidades também chamam atenção. Notas aromáticas frescas passam a dividir espaço com frutas inesperadas, como carambola e abacaxi, além de florais como íris e rosa, cada vez mais presentes nas fragrâncias masculinas.
Mais do que seguir modismos, a grande tendência é a ampliação de repertório. “O homem busca fragrâncias que façam sentido para o seu estilo de vida, para o seu contexto e para o seu momento pessoal.”
Essa mudança também se reflete na forma como os homens escolhem seus perfumes. O processo deixou de ser automático e passou a ser mais consciente e emocional.
“Hoje, ele observa como o cheiro se comporta na pele, entende que existem famílias olfativas diferentes, percebe a diferença entre notas frescas e intensas, entre um eau de toilette e um eau de parfum.”
Para o perfumista, esse comportamento foi impulsionado pela maior circulação de informação, pelas redes sociais e por uma mudança cultural importante: o autocuidado deixou de ser tabu.
“Escolher uma fragrância hoje é um gesto de expressão pessoal, de presença, quase de narrativa sobre quem se é e como se quer ser percebido.”
Na hora de escolher o perfume ideal, Cesar destaca que pensar na rotina faz toda a diferença. Para o dia a dia, fragrâncias leves, frescas e aromáticas tendem a funcionar melhor. Já para ocasiões especiais, notas mais intensas e marcantes ganham protagonismo.
“Para o dia a dia, opções mais leves, frescas com toques aromáticos e madeiras menos densas como o cedro e vetivert costumam funcionar melhor. Já para ocasiões especiais, variações mais intensas, com fundo amadeirado marcante como OUD e Patchouli associado a notas especiadas e incensadas, ajudam a criar presença e deixar memória.”
Ele reforça ainda a importância de testar na pele e dar tempo para a fragrância se revelar. “A fragrância é uma construção viva, que se revela aos poucos.”
Quando o assunto é qualidade, não existe um único fator decisivo. Notas, intensidade e fixação precisam caminhar juntas.
“O que realmente faz diferença é a harmonia entre todos esses elementos. Notas bem escolhidas são importantes, mas é a forma como elas são trabalhadas, combinadas e evoluem na pele que define a qualidade de uma fragrância.”
Para Cesar, o perfume ideal é aquele que cria conexão emocional. “Quando isso acontece, ela deixa de ser apenas um cheiro agradável e passa a ser uma assinatura.”








