A cada ano, cerca de 260 mil mulheres morrem durante a gestação ou o parto no mundo, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Pelo menos 70% desses óbitos estão ligados a causas obstétricas diretas, como hemorragias e pré-eclâmpsia.
Além disso, mais de dois milhões de bebês não sobrevivem ao primeiro mês de vida, enquanto outros dois milhões nascem mortos. Diante desse cenário, a OMS e o Ministério da Saúde reforçam que identificar precocemente gestantes em situação de risco é fundamental para reduzir a mortalidade materna e neonatal.
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), situações de médio risco incluem casos como tabagismo leve, anemia moderada, diabetes gestacional e malformações fetais. Já no grupo de alto risco entram gestantes com tabagismo intenso, transtornos alimentares, dependência de drogas, histórico de abortos tardios ou doenças graves pré-existentes, como cardiopatias – estas últimas representam a principal causa não obstétrica de morte materna no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O levantamento da SBC mostra ainda que cerca de 40% dessas mortes poderiam ser evitadas com maior compreensão dos riscos da gravidez.
Outro fator importante é a gestação tardia. A Fiocruz classifica a gravidez acima dos 35 anos como de médio risco, já que aumenta as chances de alterações cromossômicas no feto, como as aneuploidias, além de complicações como aborto, placenta prévia, hipertensão e diabetes.
A ginecologista-obstetra Laura Penteado lembra, no entanto, que nem toda gravidez tardia será de alto risco: “Dos 35 aos 40 anos, a maioria das gestações tem evoluído como qualquer outra abaixo dessa idade e, mesmo acima dos 40, nem toda gravidez apresenta intercorrências”, conclui.






