Verão combina com dias mais longos, calor, praia, piscina e momentos ao ar livre. Mas, junto com o prazer de pegar sol, vem também a necessidade de redobrar os cuidados com a pele. A exposição excessiva e sem proteção adequada pode provocar desde desconfortos imediatos até danos que se acumulam ao longo dos anos, como manchas, rugas precoces e até câncer de pele.
Entre os problemas mais comuns dessa época estão as queimaduras causadas pelo sol, um sinal claro de que a pele ultrapassou seu limite. Aprenda a identificar os sinais preocupantes de queimadura solares – e veja quais cuidados tomar para evitar complicações, como a insolação.
Queimaduras causadas pelo sol
As queimaduras solares não surgem imediatamente após a exposição. “Os primeiros sinais costumam surgir entre 2 e 6 horas após a exposição e incluem vermelhidão, sensação de ardor ou queimação, dor ao toque, aumento da temperatura local e sensibilidade intensa”, diz a a dermatologista Roberta Lopes, do grupo Bussade Health.
Em casos mais intensos, o quadro pode evoluir com inchaço, bolhas e descamação nos dias seguintes. Isso porque a queimadura solar é uma reação inflamatória aguda da pele provocada pela exposição excessiva à radiação ultravioleta, principalmente aos raios UVB.
Queimadura solar ou insolação?
Apesar de muitas vezes confundidas, queimadura solar e insolação não são a mesma coisa. “A queimadura solar é um dano localizado na pele causado pela radiação UV. Já a insolação é uma condição sistêmica, relacionada ao aumento da temperatura corporal devido à exposição prolongada ao calor e ao sol”, explica Roberta.
Alguns sinais indicam que o problema não está restrito à pele. “Febre, dor de cabeça intensa, tontura, náuseas, vômitos, fraqueza, confusão mental e, em casos graves, desidratação e alteração do nível de consciência são sinais de alerta”, diz a especialista. Nessas situações, procure atendimento médico imediatamente.
Cuidados com a queimadura solar
Ao notar os primeiros sinais de queimadura, agir rápido ajuda a minimizar os danos. A orientação inicial é interromper imediatamente a exposição ao sol. “Os cuidados iniciais incluem refrescar a pele com banhos frios ou mornos, manter uma hidratação oral adequada e usar hidratantes calmantes, preferencialmente sem fragrância”, orienta a dermatologista.
Borrifar água termal várias vezes ao dia também ajuda a aliviar o desconforto. Além disso, é fundamental evitar qualquer tipo de agressão à pele sensibilizada. “Fricção, esfoliação ou procedimentos estéticos devem ser evitados, porque o objetivo nesse momento é reduzir a inflamação e preservar a barreira cutânea”, diz ela.
Tratamentos caseiros
Alguns cuidados simples podem aliviar os sintomas, desde que feitos com cautela. “Compressas frias e produtos com aloe vera estabilizado e próprio para uso dermatológico podem ajudar, desde que a pele esteja íntegra, assim como chá de camomila gelado”, explica a médica.
Por outro lado, receitas caseiras e substâncias inadequadas devem ficar longe da pele queimada. “Devem ser evitados produtos não formulados para a pele, óleos essenciais, álcool, vinagre, pasta de dente e anestésicos tópicos sem prescrição”, alerta a especialista. Estourar bolhas também deve estar fora de cogitação, já que aumenta o risco de infecção e atrasa a cicatrização.
Quando a queimadura solar exige atendimento médico?
Nem toda queimadura solar pode ser tratada apenas em casa. A avaliação médica é indicada em situações específicas. “A orientação é procurar um dermatologista quando há bolhas extensas, dor intensa ou progressiva, febre, sintomas sistêmicos ou sinais de infecção”, explica.
Crianças, idosos, queimaduras em grandes áreas do corpo e pessoas com doenças de pele prévias ou que usam medicamentos fotossensibilizantes também merecem atenção especial. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicações tópicas ou sistêmicas.
Consequências do sol em excesso
Os efeitos da exposição solar não se limitam ao momento da queimadura. A médio e longo prazo, os danos se acumulam. “A exposição solar excessiva leva a danos cumulativos no DNA das células da pele”, explica a especialista.
Entre as consequências mais comuns estão o surgimento de manchas solares, agravamento do melasma, perda de colágeno e elastina, flacidez, rugas precoces, vasos aparentes e alterações na textura da pele. “E o mais importante: aumenta a predisposição ao câncer de pele”, alerta a médica. Esse conjunto de alterações é conhecido como fotoenvelhecimento.
Além disso, sofrer queimaduras solares repetidas aumentam significativamente o risco de câncer de pele, incluindo o melanoma, que é o tipo mais agressivo. Isso porque a radiação UV provoca danos diretos ao DNA das células. Quando esses danos não são reparados corretamente, surgem mutações que favorecem o crescimento descontrolado das células.
Quem já convive com melasma ou tem tendência a manchas precisa de atenção extra depois de uma queimadura solar. “Após a queimadura, a pele entra em um estado inflamatório que estimula ainda mais a produção de melanina, aumentando o risco de manchas persistentes”, explica a especialista.
Como cuidar de queimadura solar
Os cuidados incluem fotoproteção rigorosa, uso de filtros solares físicos, roupas com proteção UV, antioxidantes tópicos e, em alguns casos, antioxidantes por via oral. Tratamentos despigmentantes mais agressivos devem ser evitados nesse período, sempre com acompanhamento dermatológico.
O processo de recuperação da pele passa pela restauração da barreira cutânea e pelo controle da inflamação. “Ativos como pantenol, ceramidas, niacinamida, ácido hialurônico e antioxidantes, como vitamina E e resveratrol, ajudam bastante nesse processo”, diz.
Procedimentos dermatológicos só devem ser considerados após a recuperação completa da pele e sempre com avaliação médica. Já a rotina de proteção solar precisa ser ainda mais rigorosa depois de uma queimadura, com uso diário de filtro solar amplo espectro, reaplicação frequente, preferência por filtros físicos, além de chapéu, óculos e roupas com proteção UV. Evitar o sol nos horários de maior radiação também é parte essencial desse cuidado contínuo.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (16 de janeiro). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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