A queda de um raio próximo a um grupo de manifestantes deixou dezenas de pessoas feridas durante um ato político realizado no último domingo (25), em Brasília. O episódio ocorreu enquanto participantes aguardavam a chegada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) à Praça do Cruzeiro, sob forte chuva.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, 72 pessoas receberam atendimento no local. Desse total, 30 precisaram de encaminhamento hospitalar, principalmente para o Hospital de Base do Distrito Federal e o Hospital Regional da Asa Norte. Oito vítimas apresentaram estado grave. A descarga elétrica ocorreu por volta das 13h, nas proximidades do Memorial JK.
O episódio chama atenção para um risco pouco discutido no dia a dia e para as consequências da descarga elétrica para o organismo humano.
Impactos imediatos no organismo
Quando uma pessoa é atingida por um raio, o corpo recebe uma corrente elétrica extremamente intensa em uma fração de segundo. Embora o contato direto seja raro, a eletricidade pode alcançar a vítima de forma indireta, seja pelo solo, seja por ramificações laterais da descarga principal. Por isso, pessoas próximas ao ponto de impacto também podem sofrer os efeitos.
De acordo com o cardiologista Fabio Grunspun Pitta, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Incor, a consequência mais grave costuma ser a parada cardíaca. “A descarga pode desorganizar o ritmo elétrico do coração, provocando fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular, situações que exigem reanimação imediata”, explicou à CNN.
Além disso, o professor Paulo Rezende, do curso de engenharia elétrica do Centro Universitário Braz Cubas, afirma que a descarga elétrica pode causar queimaduras externas, destruição de tecidos internos, lesões em órgãos vitais e danos ao sistema nervoso. Ou seja, mesmo quando não há morte imediata, o impacto no corpo pode ser extenso.

Atendimento rápido aumenta as chances de sobrevivência
Em situações como essa, o tempo de resposta faz diferença direta no desfecho. No caso de Brasília, o Corpo de Bombeiros já acompanhava o ato e montou rapidamente uma tenda de emergência. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram manifestantes sendo carregados nos braços até o atendimento inicial.
Segundo os bombeiros, algumas vítimas apresentaram queimaduras nas mãos e no tórax, enquanto outras sofreram torções e quadros de hipotermia. Oito pessoas atingidas pela descarga elétrica apresentavam instabilidade clínica.
Especialistas reforçam que a parada cardíaca pode ocorrer mesmo em pessoas sem doenças prévias. Por isso, iniciar compressões torácicas e manobras de reanimação ainda no local aumenta significativamente as chances de sobrevivência.
Dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que, a cada 50 mortes por raios no mundo, uma ocorre no Brasil.
Sequelas possíveis após sobreviver à descarga elétrica
Embora seja considerado um acidente raro, ser atingida por um raio não é impossível. Segundo o geólogo Rodrigo Salvetti, professor do CEUNSP, a maioria das ocorrências acontece de forma indireta. Ainda assim, a corrente elétrica pode atravessar o corpo e deixar sequelas duradouras.
Essas consequências variam conforme o trajeto da eletricidade e a rapidez do atendimento médico. Entre os efeitos mais comuns estão alterações neurológicas, perda de força muscular, dificuldades cognitivas e problemas cardíacos persistentes.
Por isso, durante tempestades, a orientação é clara: evitar áreas abertas, árvores isoladas e aglomerações ao ar livre, especialmente em locais sem abrigo adequado.
Resumo: A descarga elétrica de um raio pode causar parada cardíaca, queimaduras e danos neurológicos. Mesmo sem impacto direto, pessoas próximas também correm risco. O atendimento rápido é decisivo para aumentar as chances de sobrevivência.
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