Quem circula pela região da Faria Lima já percebeu uma cena cada vez mais comum: executivos de terno, laptop em uma mão e mochila de kimono na outra. O Brazilian Jiu-Jitsu deixou de ser apenas um esporte de combate e passou a ocupar um novo espaço na rotina de empresários e profissionais de alta gestão, tornando-se uma verdadeira tendência entre quem busca equilíbrio, foco e bem-estar em meio à rotina intensa de trabalho.
Segundo o mestre Marcelo Mathias, faixa coral 7º grau, o crescimento da procura pelo jiu-jitsu vai muito além da estética ou do condicionamento físico. Cada vez mais, o esporte tem sido visto como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, liderança e controle emocional. “Eles veem no jiu-jitsu um jeito de desenvolver a resiliência e a capacidade de permanecer calmo sob pressão, exatamente o que a alta gestão precisa”, explica.
A prática também não impõe limites rígidos de idade. “A idade mínima é entre 4, 5 anos. No ‘jiu-jitsu kids’ o foco é no desenvolvimento motor da criança. Atividades que focam nas brincadeiras de coordenação motora e disciplina.” Já entre adultos, o aprendizado de técnicas básicas acontece mais rápido do que muitos imaginam. “Depende de vários fatores como frequência, intensidade e quantidade da aula, mas em geral já em 3 meses (2 ou 3 vezes por semana) você já vai aprender posições básicas, controle da distância além de alguns golpes de defesa pessoal. E já terá uma consciência de sair de situações de risco”.
Segurança, autoestima e saúde mental em dia
O aumento da violência urbana também aparece como um fator que impulsiona o interesse pelo esporte. “O crescimento nas buscas é real e significativo por pessoas que querem saber algum tipo de defesa pessoal por causa da violência urbana, mas há uma grande procura pela prática esportiva, pela saúde cardiovascular e autoestima”, destaca o mestre.
Entre as mulheres, a adesão ao jiu-jitsu também cresce, inclusive em turmas mistas. “Sim, as mulheres podem treinar em turmas mistas sem problemas, mas a maioria das academias têm um horário específico só para as mulheres, pois há um treino especialmente para as mulheres aprenderem a como reagir a situações específicas como um assédio.” Segundo Mathias, o aprendizado feminino costuma ser rápido. “Geralmente as mulheres aprendem com mais facilidade pois elas têm um maior poder de concentração na aula.”
Para muitos empresários, o tatame virou uma extensão do escritório e vice-versa. Para Carlos Almeida, CEO da TechBridge Solutions, empresa de tecnologia que desenvolve soluções para o mercado corporativo. “Treinar jiu-jitsu me ensinou a lidar com a pressão do mercado da mesma forma que lido no tatame: mantendo a calma, buscando a melhor posição e sempre pronto para mudar de estratégia quando o adversário se move”. Mais do que uma moda, o jiu-jitsu vem se consolidando como um aliado poderoso para quem busca saúde física, clareza mental e equilíbrio emocional em um mundo cada vez mais acelerado.








