Excesso de telas deixou de ser apenas uma questão de produtividade ou lazer e passou a ocupar um espaço central na rotina de mulheres de diferentes idades. Entre trabalho remoto, redes sociais, streaming e aplicativos de mensagens, o tempo diante de celulares, computadores e televisões cresce silenciosamente, muitas vezes sem que os impactos reais sejam percebidos.
O que pouca gente comenta é que esse uso contínuo vai além do cansaço visual. Ele interfere na saúde mental, no sono, na autoestima e até na forma como mulheres se relacionam com o próprio corpo, com o trabalho e com o descanso, criando um ciclo difícil de romper.
O que está por trás do excesso de telas no dia a dia?
O excesso de telas não surge por acaso. Ele está diretamente ligado à forma como a tecnologia foi integrada à vida moderna, especialmente à rotina feminina. Muitas mulheres acumulam múltiplas jornadas: trabalho formal, cuidados com a casa, filhos, estudos e vida social, quase sempre mediadas por dispositivos digitais.
Além disso, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o aumento do tempo de exposição a telas está associado a mudanças comportamentais importantes, como dificuldade de concentração e maior sensação de esgotamento mental. Ou seja, não se trata apenas de “ficar muito tempo no celular”, mas de como essa exposição constante molda hábitos e emoções.
Por outro lado, redes sociais e aplicativos também funcionam como espaços de informação, apoio e até renda, especialmente para mulheres empreendedoras. O problema surge quando não há limites claros entre uso funcional e consumo excessivo.

Como o excesso de telas afeta a saúde mental feminina?
Diversos estudos recentes apontam que o excesso de telas tem impacto direto na saúde mental, com efeitos que tendem a ser mais intensos em mulheres. Isso acontece porque elas são mais expostas a conteúdos comparativos, padrões estéticos irreais e cobranças constantes de desempenho.
Pesquisas da Universidade de Harvard indicam que o consumo frequente de redes sociais pode aumentar sentimentos de ansiedade e inadequação, principalmente quando associado à comparação social. Além disso, notificações constantes mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento.
Outro ponto pouco discutido é a chamada “fadiga digital”. Ela se manifesta como irritabilidade, dificuldade de foco e sensação de estar sempre atrasada, mesmo sem uma causa objetiva. Com o tempo, esse quadro pode evoluir para esgotamento emocional.
Quais sinais silenciosos indicam que algo não vai bem?
Nem sempre os efeitos do excesso de telas são óbvios. Muitas vezes, eles aparecem de forma sutil e acabam sendo normalizados na rotina. Entre os sinais mais comuns estão:
- Dificuldade para dormir ou sono de baixa qualidade
- Sensação constante de cansaço mental
- Redução da concentração em tarefas simples
- Necessidade de checar o celular sem motivo claro
- Desânimo após longos períodos online
Esses sinais costumam ser atribuídos ao estresse do dia a dia, quando, na prática, estão diretamente ligados ao uso prolongado de dispositivos digitais, especialmente no período noturno.

Por que falar de excesso de telas é também falar de gênero?
Discutir excesso de telas sob a perspectiva feminina é fundamental. Mulheres tendem a usar a tecnologia não apenas para lazer, mas também para organização da vida familiar, trabalho e manutenção de vínculos sociais.
Além disso, algoritmos de redes sociais direcionam conteúdos altamente visuais e comparativos para o público feminino, reforçando padrões e expectativas difíceis de sustentar. De acordo com levantamento do Instituto Reuters, mulheres são mais impactadas emocionalmente por interações digitais negativas, como comentários críticos e cobranças implícitas.
Ou seja, o impacto não é neutro. Ele atravessa questões sociais, culturais e emocionais que precisam ser consideradas ao falar de tecnologia para mulheres.
Há caminhos possíveis para um uso mais consciente?
Falar sobre o lado invisível do excesso de telas não significa demonizar a tecnologia. Pelo contrário, o objetivo é promover um uso mais consciente e saudável. Especialistas da Sociedade Brasileira de Psicologia defendem pequenas mudanças, como pausas regulares, redução do uso noturno e maior atenção aos próprios limites.
Práticas simples, como silenciar notificações fora do horário de trabalho ou evitar telas antes de dormir, já apresentam efeitos positivos comprovados. Além disso, criar momentos offline ajuda a reconectar corpo e mente, sem a pressão constante do ambiente digital.
Repensar o excesso de telas é repensar prioridades
O excesso de telas é um fenômeno silencioso, mas profundamente transformador. Ele redefine rotinas, relações e a forma como mulheres percebem a si mesmas no mundo digital.
Ao reconhecer esses impactos e refletir sobre limites possíveis, abre-se espaço para uma relação mais saudável com a tecnologia. Afinal, em um cenário cada vez mais conectado, a pergunta que fica não é quanto tempo passamos online, mas como esse tempo está influenciando nossa qualidade de vida.








