Formada no jornalismo de serviço e engajada em pautas sociais desde os tempos da TVE Bahia, Pâmela Lucciola construiu sua trajetória devagar. Ganhou projeção nacional há alguns meses, ao assumir o Melhor da Tarde na Band, após a saída de Cátia Fonseca e, depois, o Melhor da Noite, no lugar de Otaviano Costa. Desde então, vem ocupando um espaço raro e poderoso, sendo a voz de mulheres nordestinas na TV aberta.
Nesta entrevista, ela relembra momentos marcantes do Band Mulher, comenta sobre sua parceria com o marido, Russo Passapusso, e fala sobre a responsabilidade de comunicar para o Brasil todo sem abrir mão das suas raízes. “Sou uma voz feminina e nordestina. Duas coisas que moldam o perfil da minha apresentação”, conta.
Sua estreia na TV foi na TVE Bahia. O que mais marcou aquele início de carreira e como aquelas experiências influenciam sua forma de comunicar hoje?
A TVE me deu régua e compasso para entender o caminho que eu queria trilhar na carreira. Lá, eu entendi o valor da tv aberta e pública e como a tv é um importante elemento na construção da identidade do brasileiro. Essa responsabilidade que eu aprendi a ter dentro de uma TV que sempre prezava pela educação e cultura me influencia até hoje.
O Band Mulher foi pioneiro ao trazer um programa voltado para o público feminino no Nordeste. O que você aprendeu liderando esse projeto?
Hoje, vejo que foi uma continuação do trabalho que comecei na TVE, com comprometimento com a informação de qualidade e que de fato prestasse um serviço na vida das pessoas. No caso do Band Mulher, na vida de mulheres que tinham ali um espaço para buscar informações sobre como sair de um ciclo de violência, por exemplo. Então posso dizer que o maior aprendizado foi mesmo de saber como é valoroso o espaço na TV, e quando bem usado, pode mudar a vida de quem assiste.
Quais pautas, naquele momento, que você cobriu e achou mais importantes e que te marcaram?
Cobrimos muita coisa relacionado a combate a violência contra mulher, a comunidade LGBTQIAPN+, e também demos muito espaço pra falar de educação, empreendedorismo, saúde e comportamento. Tive a honra de entrevistar mulheres como Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves, talvez essas foram as que mais me marcaram.
Como foi a transição de programas regionais para a rede nacional? E o que isso mudou em sua rotina?
Foi gradual e bem orgânica. Comecei a vir aos poucos, e isso me permitiu entender melhor sobre o estar em rede nacional antes de eu me mudar de vez. Também pude ensaiar como seria morar em São Paulo, uma vez que vinha para passar longos períodos. Esse ensaio foi importante para eu conseguir fazer a transição de salvador para a capital paulista, cidades tão diferentes.
Qual foi o maior desafio em substituir a Cátia Fonseca?
Talvez o maior desafio tenha sido o de lidar com as pessoas que insistiam na comparação entre nós duas. Sempre quis deixar claro que ao mesmo tempo que estava ali para trilhar a minha trajetória, também respeitava o trabalho de quem veio antes e que tem uma história com o programa.
Você se considera uma voz feminina por estar em um horário importante em rede nacional? Por quais pautas deseja lutar?
Sim, uma voz feminina e nordestina. Duas coisas que moldam o perfil da minha apresentação. Desejo continuar usando o espaço na TV para levar informação de qualidade para mulheres e homens que desejam viver em uma sociedade melhor.

Já sofreu algum preconceito por ser baiana e estar em rede nacional? Como é a aceitação do público?
Por ser baiana não – ou talvez eu não tenha percebido. Mas por ser mulher, sim. São até preconceitos sutis muitas vezes, mas que não passam despercebidos por mim. Mas sou muito grata pelo público que se identifica, que me entende e me recebe, me acolhe. Isso faz tudo valer a pena.
A televisão aberta enfrenta o desafio de dialogar com novas gerações e, ao mesmo tempo, manter o público fiel. Como é encarar isso?
Acho um desafio maravilhoso, um motor pra gente criar junto a novas tecnologias que estão surgindo e que não dá pra negar, porque elas estão inseridas no nosso dia a dia e vão ficar cada vez mais. Encaro com a sensibilidade do olhar de quem sabe que a emoção e a empatia são insubstituíveis.
Você é casada com Russo Passapusso, do BaianaSystem, e costuma ser discreta em relação à vida pessoal. Como é a parceria de vocês? De que forma ela influencia sua trajetória profissional e pessoal?
Nossa parceria é muito forte. Ele é o cantor que queria ser jornalista e eu a jornalista que queria ser cantora (risos). Acho que isso traduz bem como a nossa relação influencia nas nossas carreiras profissionais. Nos complementamos em muitos aspectos.
Fora da TV, como é seu dia a dia – sua rotina de cuidados consigo mesma?
Fora da TV meu dia a dia é com pouca maquiagem e roupa confortável. Afinal, trabalhar com a imagem não é fácil. Me cuido fazendo terapia e saindo com as amigas, melhor remédio não há.
Como você imagina a televisão do futuro e onde se enxerga nesse cenário?
Imagino uma TV mais relevante, mais diversa e moderna, que consiga superar padrões antiquados na forma de operar e gerir. Espero poder presenciar esse modelo de televisão.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1498, de 5 de dezembro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








