Por muito tempo, a osteoporose foi associada ao envelhecimento. Afinal, quem nunca ouviu que “ossos fracos” são uma consequência natural da idade? A verdade, porém, é que o problema tem aparecido cada vez mais cedo, inclusive entre mulheres na faixa dos 30 e 40 anos. O ritmo acelerado da vida moderna, somado a hábitos pouco saudáveis, está contribuindo para que os ossos percam densidade antes do esperado.
A endocrinologista e metabologista Elaine Dias JK, PhD pela USP, explica que o aumento dos casos de osteoporose em jovens acontece por uma soma de fatores ligados ao estilo de vida atual: sedentarismo, deficiências nutricionais e até o uso prolongado de certos medicamentos.
Por que a osteoporose acontece?
A osteoporose é uma condição que enfraquece os ossos, tornando-os mais suscetíveis a fraturas. Ela ocorre quando há desequilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea, ou seja, o corpo passa a perder mais massa óssea do que consegue repor. “Esse processo é natural com o passar dos anos, especialmente em mulheres após a menopausa, quando há queda do estrogênio. Mas outros fatores podem antecipar o quadro”, explica Elaine.
Entre os principais motivos para o surgimento precoce da doença estão a baixa densidade óssea, causada por alimentação inadequada e sedentarismo na infância e adolescência, e o sedentarismo crônico, que impede que os ossos recebam o estresse mecânico necessário para se fortalecer.
A alimentação também tem papel crucial. A falta de ingestão de cálcio, vitamina D, proteínas e outros nutrientes, assim como dietas restritivas e o consumo excessivo de álcool, cafeína e refrigerantes ricos em fósforo, prejudicam a absorção de minerais essenciais para o esqueleto.
Outro fator relevante é a falta de exposição solar, fundamental para a produção de vitamina D, que ajuda o corpo a absorver cálcio e regular o metabolismo ósseo. Sem vitamina D suficiente, a densidade óssea diminui e o risco de fraturas aumenta.
Medicamentos como glicocorticoides, inibidores de aromatase e contraceptivos injetáveis de medroxiprogesterona também podem contribuir para a fragilidade óssea, assim como distúrbios hormonais, irregularidades menstruais e doenças que interferem na absorção de nutrientes.
Para ficar atenta!
A osteoporose é conhecida como a doença silenciosa porque geralmente não apresenta sintomas até que uma fratura ocorra. “Uma fratura inicial por trauma leve é o primeiro indicativo e um fator preditivo de futuras fraturas. É crucial reconhecer que, após a primeira ocorrência, o risco de fraturas subsequentes aumenta significativamente, variando de duas a cinco vezes”, detalha a especialista.
Alguns sinais indiretos que merecem atenção incluem:
- Perda de estatura: perder mais de 4 cm em relação à juventude não é normal.
- Postura curvada: alteração na coluna pode indicar microfraturas vertebrais.
- Dor lombar crônica: muitas vezes causada por fraturas pequenas que passam despercebidas.
Elaine alerta que o especialista deve ser procurado antes da primeira fratura, pois a prevenção é mais eficaz do que o tratamento após o problema se instalar.

Ossos fortes e protegidos
A boa notícia é que a prevenção da osteoporose começa com cuidados diários simples, mas consistentes. Alguns deles são:
- Ingestão adequada de cálcio: laticínios ou equivalentes vegetais fortificados, de 1000 a 1200 mg/dia para adultos, dependendo da fase da vida.
- Proteínas: fundamentais para a matriz óssea de colágeno e manutenção muscular.
- Outros nutrientes importantes: vitamina D, vitamina K, magnésio e fósforo.
- Exposição solar: ajuda o corpo a produzir vitamina D, essencial para absorção de cálcio.
- Exercícios de carga e impacto: caminhada rápida, corrida leve, saltos e musculação estimulam a formação óssea. Exercícios de resistência de alta intensidade podem melhorar a densidade óssea em quase 3% em oito meses. Pacientes com osteoporose devem evitar flexão ou rotação excessiva da coluna.
- Evitar sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool: essas práticas prejudicam a densidade óssea e aumentam o risco de fraturas.
- Atenção a medicamentos e distúrbios hormonais: uso prolongado de glicocorticóides, anticonvulsivantes, inibidores de aromatase ou contraceptivos injetáveis de medroxiprogesterona, assim como irregularidades menstruais e baixo peso, podem impactar negativamente a saúde dos ossos.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1494, de 7 de novembro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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