Por Renan Pereira e Lígia Menezes
Após dois anos longe da televisão, Chris Flores retornou ao ar no comando do Melhor da Tarde, na Band, ao lado de Leo Dias e Thiago Pasqualotto. A decisão de fazer uma pausa veio da necessidade de cuidar da saúde, acompanhar o pai, que enfrenta uma doença neurodegenerativa, e concluir o mestrado em História. “Foi um período necessário para cuidar da saúde física e mental, estudar, dar e receber amor, inclusive o amor-próprio”, reflete.
Durante o afastamento, ela passou por uma cirurgia na coluna e viveu de perto os desafios da chamada “geração sanduíche”, que cuida dos filhos e dos pais ao mesmo tempo. Agora, aos 48 anos, volta à TV com a proposta de ampliar as conversas com o público feminino. “A maternidade me tornou mais solidária e isso reflete na forma como me conecto com o público”, conta.
Com novos aprendizados e a parceria com Leo Dias na apresentação, Chris quer somar ao time. “Nunca é tarde para recomeçar. Aos 40, 50, 60, 70 ou mais, ainda há vida, sonhos e possibilidades”, observa.
Cris, como foi para você esse período longe da TV e o que a motivou a voltar agora ao comando do “Melhor da Tarde”?
Esse período longe da TV foi muito importante. Eu precisava de um momento de reconexão, de rever tudo na minha vida. Trabalhei por cerca de 20 anos consecutivos na televisão, em programas diários e ao vivo, o que exige muito tempo e energia. Às vezes, acabamos deixando de lado planos e sonhos para nos dedicar integralmente ao trabalho.
Sou muito preocupada com conteúdo. Não sou o tipo de apresentadora que chega, lê o TP e vai embora. Participo ativamente da produção, das pautas, gosto de chegar antes, sair depois, participar de reuniões. Isso toma tempo, mas eu gosto, me envolvo de verdade.
Por isso, foi essencial ficar pelo menos dois anos afastada. Consegui realizar um grande sonho: voltar a estudar. Fiz minha graduação conciliando com o trabalho ao vivo, o que foi puxado, e depois, durante a pandemia, pude estudar online e, posteriormente, de forma presencial. Agora estou finalizando o mestrado, algo que sempre sonhei.
Além disso, precisei cuidar da minha saúde. Fiz uma cirurgia em fevereiro, por causa de uma hérnia de disco na cervical. Foi um procedimento delicado, com colocação de prótese, que exigiu repouso, fisioterapia e muita dedicação. Eu sentia dores intensas no braço e na coluna, tomava remédios fortes e até perdi o movimento do braço esquerdo. Foi assustador. A cirurgia devolveu o movimento e, com ele, minha qualidade de vida.
Outro motivo importante foi meu pai. Ele tem uma doença neurodegenerativa que afeta o sistema nervoso e a cognição. Antes que a ‘luzinha’ se apagasse por completo, quis estar perto dele. Ele completou 82 anos, e eu quis aproveitar cada momento consciente, retribuindo com amor e carinho tudo o que ele me deu. Sempre acreditei que devemos honrar pai e mãe.
Entrei numa fase que chamam de ‘geração sanduíche’, em que cuidamos dos filhos e também dos pais. Graças a Deus, meu filho está bem, com 19 anos, cursando faculdade e trabalhando. Agora, quem precisa mais de mim é meu pai. Essa pausa foi essencial para cuidar dele, da minha saúde e da minha mente.
Durante esse tempo, ele melhorou muito. Tenho certeza de que minha presença fez diferença. Foi um período necessário para cuidar da saúde física e mental, estudar, dar e receber amor, inclusive o amor-próprio. Precisamos nos amar e nos cuidar, porque só assim conseguimos cuidar dos outros.
De que forma essa pausa influenciou seu estilo de apresentação e sua relação com o público?
Essa pausa me fez dar ainda mais valor ao contato com o público. Sempre prezei muito por isso, mas estando fora do ar, percebi o quanto sou amada pelas pessoas. Mesmo longe da TV, ao ir à feira, ao supermercado, à farmácia, à faculdade, recebi muito carinho. As pessoas perguntavam quando eu voltaria ao ar, diziam que sentiam falta de me ver falando, trazendo mensagens e conteúdo.
Isso me motivou ainda mais a voltar, com mais garra e vontade de fazer o melhor para esse público tão fiel. Eu nunca neguei uma foto, um abraço, um carinho. Acredito que essa troca é o que dá sentido ao que faço. A fama, para mim, não é o que importa: o que me move é o contato com as pessoas.
Durante a pausa, pude ampliar meus conhecimentos, especialmente sobre história das mulheres, tema do meu mestrado. Isso tem tudo a ver com o público do programa, porque muitas mulheres que me acompanham de perto. Por isso, volto mais plena, com mais conteúdo e repertório para conversar de igual para igual com elas.
E foi exatamente isso que me motivou a retornar ao Melhor da Tarde: estar novamente com o público, principalmente com as mulheres, trocando informações, oferecendo conteúdos de qualidade, seja sobre saúde, família, cozinha ou até uma boa fofoca para relaxar. Faço TV para estar perto das pessoas e compartilhar essa energia boa que elas me dão.
Quais foram os maiores aprendizados pessoais e profissionais durante esse afastamento?
Profissionalmente, aprendi que, independentemente de onde eu esteja, preciso manter minha essência. As pessoas gostam de mim pelo que sou. Posso e devo evoluir, mas sem perder minha autenticidade. Recebo críticas de coração aberto, sempre buscando melhorar.
Aprendi também que é mais importante ouvir do que falar. Entender as diferenças, acolher as pessoas e estar disposta a aprender com elas. Foi bom perceber que o público me quer exatamente do jeito que eu sou.
No lado pessoal, reafirmei que a família deve vir sempre em primeiro lugar. É nosso porto seguro, o alicerce em qualquer momento, seja bom ou ruim. Família é quem está ao seu lado, te acolhe e quer o seu bem. E família nem sempre é só de sangue: pode incluir amigos que ocupam esse papel.
Outra lição que quero deixar é que nunca é tarde para recomeçar. Aos 40, 50, 60, 70 ou mais, ainda há vida, sonhos e possibilidades. A idade não determina o fim de nada.
Como está sendo o entrosamento com o Léo Dias para conduzir o programa juntos?
Maravilhoso! O Léo é um grande companheiro de trabalho, um amigo verdadeiro e um profissional incrível. Ele é muito sincero, fala o que pensa, na hora. Gosto disso. Prefiro lidar com pessoas transparentes.
Nos conhecemos há mais de 20 anos, desde a época da revista Contigo!, quando fazíamos a editoria de flagras. Já dava pra ver que ele iria longe, e foi. Ele é visionário, talentoso, esforçado, empreendedor.
Na vida pessoal, é uma pessoa doce e leal; no trabalho, é generoso e colaborativo. Gosta de dividir, de ajudar os colegas, de abrir oportunidades. É polêmico, sim, mas isso é natural no universo das celebridades. O importante é reconhecer erros e evoluir, e ele faz isso.
Tenho muito carinho e respeito por ele. Esse convite para o programa partiu dele, e eu aceitei com alegria. Tenho certeza de que nossa parceria será maravilhosa.
Você pretende trazer alguma inovação ou formato diferente para este retorno?
Quero contribuir com ideias e conteúdo, mas o programa já tem uma equipe excelente. A diretora, Fernanda, é brilhante, experiente, criativa e muito respeitada.
A Band valoriza o conteúdo, e isso me deixou muito segura. Vou levar o meu jeito de ser e somar ao time. Não estou chegando para comandar, mas para trabalhar lado a lado com todos. Já conheço o Léo, fiquei encantada com o JP, que é um profissional incrível, e adoro o Pasqualotto, divertidíssimo, inteligentíssimo.
O chef Bruno também é uma graça, e já combinamos de trocar receitas. Cozinho como dona de casa, então vou me aventurar na cozinha com ele. Estou chegando para ouvir, aprender e contribuir.
Como você equilibra a vida pessoal e profissional, especialmente agora que retorna à rotina intensa da TV?
Equilíbrio é a palavra. É importante entender nossos limites físicos e mentais. Sei que a TV exige muito, mas minha família entende e apoia, como sempre fez.
Meu marido e eu trabalhamos juntos em uma produtora que criamos. Ele é fotojornalista, videomaker e um grande parceiro. Temos nossos projetos comerciais fora da TV, e isso nos une ainda mais.
Somos casados há 21 anos, e nossa relação é baseada em amor, respeito e amizade. Foi a amizade que sustentou e fortaleceu nosso casamento.
Meu filho, de 19 anos, é meu grande orgulho. Ser mãe me fez entender o amor mais profundo e também a importância de impor limites e educar com ética e responsabilidade. Hoje ele namora, e conversamos muito sobre respeito e relacionamento. Aqui em casa, somos sinceros uns com os outros, e isso nos fortalece.

A maternidade mudou algum aspecto da sua visão de vida ou da sua relação com o público?
A maternidade mudou tudo. Ser mãe é a experiência mais transformadora da vida. Ensina a olhar para o outro, a ser menos egoísta, a compartilhar, a cuidar.
Com o tempo, aprendi em cada fase do meu filho: bebê, criança, adolescente, agora jovem adulto. A maternidade torna a gente mais madura e empática. Passamos a olhar para o mundo com mais compaixão.
Quando vejo alguém sofrendo, penso: ‘essa pessoa é o filho de alguém’. Isso muda tudo. A maternidade me tornou mais solidária, resiliente e amorosa e isso reflete no meu trabalho e na forma como me conecto com o público.
Sem dúvida, ser mãe foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E sonho um dia em ser avó, e meu filho já sabe disso!
Sua fé ou crenças pessoais influenciam a forma como você encara os desafios no trabalho e na vida?
Sem dúvida. A fé é o que me move. É nela que encontro força, amor, esperança e cura. Acredito que estamos aqui em uma passagem, uma missão de aprendizado. Deus e Jesus nos ensinaram o amor e é isso que devemos praticar. Amar a nós mesmos e ao próximo.
Somos imperfeitos, mas é através dessas imperfeições que evoluímos. Tenho fé, rezo todos os dias e sou devota de Nossa Senhora.
Quando tudo parece dar errado, é na fé que busco forças para recomeçar. Sem fé e esperança, a vida perde o sentido. É preciso acreditar em nós mesmos, nos outros e na capacidade de perdoar e seguir em frente.
Durante seu afastamento, você adotou alguma rotina especial de cuidado com a saúde física e mental?
Por causa da cirurgia, precisei cuidar mais da parte médica: fisioterapia, repouso, acompanhamento. Fui liberada recentemente para voltar a fazer exercícios, algo essencial, especialmente após os 40 e na fase da menopausa.
O exercício faz bem para o corpo e para a mente. Além disso, mantive minha ligação com a espiritualidade e os estudos, que alimentam a mente e a alma.
Aprendi que é fundamental continuar sonhando. Muita gente parou de sonhar, desacreditou das coisas boas, e isso paralisa.
Quando parei de me conectar com pensamentos negativos e comecei a focar na fé, na esperança e nos meus sonhos, tudo começou a fluir. As coisas acontecem no tempo certo, no nosso tempo e no tempo de Deus. É preciso paciência, fé e coragem para seguir acreditando.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1494, de 7 de novembro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








