Olá, pessoal. Neste mês, falaremos sobre a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), a do trato gastrointestinal mais comum no mundo.
Certamente, vocês já tiveram incômodos como azia, má digestão, desconforto estomacal e regurgitação ácida após as refeições. Esses sintomas podem ser considerados normais e fisiológicos, decorrentes do refluxo.
Entretanto, quando esses sintomas são persistentes (pelo menos uma vez na semana por um período maior que quatro semanas) e causam complicações, deve-se suspeitar da doença, que pode ser considerada uma condição crônica. A DRGE tem uma prevalência estimada de 20% da população mundial. A faixa etária mais acometida é entre 30 e 60 anos.
Segundo o consenso de Montreal (2006), a DRGE se desenvolve devido ao refluxo do ácido gástrico, gerando sintomas que interferem na qualidade de vida dos pacientes e podem levar a complicações no esôfago. Nas últimas décadas, tem ocorrido um aumento significativo dos casos, justificado por índices de obesidade e alimentação inadequada, fatores de risco importantes para o desenvolvimento da doença.
Os sintomas podem ser classificados como típicos e atípicos. Os típicos são reconhecidos como azia, dor torácica não cardíaca, salivação excessiva, regurgitação, gases e inchaço abdominal. Já os atípicos incluem tosse persistente, irritação crônica na garganta, dificuldade para engolir, pigarro, mau hálito, erosão dentária, rouquidão e até mesmo sintomas respiratórios, como bronquite e asma.
O diagnóstico pode ser feito somente com a conjunção dos sintomas apresentados e o histórico clínico dos pacientes. Entretanto, em alguns casos, a realização de exames complementares como endoscopia, pHmetria de 24 horas e esofagometria, pode ser necessária para melhor avaliação e distinção do grau da doença e suas complicações.
As principais complicações são úlceras, esofagite erosiva, estenose esofágica (estreitamento do órgão que dificulta a passagem do alimento para o estômago) e esôfago de Barrett, condição pré-maligna reconhecida por aumentar o risco de câncer no órgão.
O tratamento deve ser individualizado, objetivando melhorar a qualidade de vida, diminuindo os sintomas e evitando os agravos do refluxo. Envolve mudanças de hábitos, uso de medicamentos que diminuem a acidez e facilitam a digestão. Em casos mais avançados e específicos, indica-se a realização de cirurgias para evitar e tratar as complicações decorrentes da doença.
A DRGE, quando diagnosticada em tempo hábil, apresenta bom prognóstico se tratada de forma adequada. Neste contexto, o reconhecimento dos sintomas e dos fatores de risco torna-se fundamental.
Sinais de complicações:
– Dificuldade para engolir (disfagia);
– Dor ao engolir (odinofagia);
– Anemia sem causa aparente;
– Sangramento digestivo (vômitos com sangue, fezes escurecidas “borra de café”);
– Emagrecimento;
– Histórico familiar de câncer;
– Náuseas e vômitos frequentes.
Medidas preventivas:
– Perda de peso: o sobrepeso e a obesidade aumentam a pressão intra-abdominal, favorecendo o refluxo do conteúdo gástrico.
– Dieta leve: o consumo excessivo de alimentos como chocolate, café, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alimentos ácidos, condimentos e pimentas diminui o tônus do esfíncter esofágico (anel que regula a passagem do alimento para o estômago), além de serem irritantes para a mucosa.
– Evite fazer refeições volumosas e deitar-se após as refeições.
– Não se automedique. Muitos medicamentos, como os anti-inflamatórios, diminuem o tônus esofágico e a efetividade das barreiras fisiológicas de proteção gastroesofágica.
– Cessação do tabagismo.
– Controle do estresse e da ansiedade: são fatores que podem interferir na sensibilidade gastroesofágica.
Cuidem-se e até a próxima!!