Você já percebeu pequenas manchas, linhas ou pontos escuros flutuando no seu campo de visão? Podem ser as chamadas moscas volantes. Também conhecido como floaters ou miodesopsia, o fenômeno é percebido mais facilmente em ambientes claros ou superfícies de cor uniforme.
O problema de visão é comum e bastante incômodo, além de poder sinalizar problemas oftalmológicos mais sérios. A oftalmologista especialista em retina Tatiana Corrêa, do H.Olhos, Hospital de Olhos da rede Vision One, explica a origem do problema.
“O fenômeno ocorre quando o vítreo, substância gelatinosa e transparente que preenche o olho, começa a se contrair e a se separar da retina em alguns pontos, formando pequenos conglomerados de células. Normalmente, o vítreo permite que a luz alcance a retina. No entanto, a formação desses aglomerados gera sombras que percebemos como moscas volantes”. O envelhecimento natural do olho também tem relação.
Como identificar e diagnosticar moscas volantes
A presença de moscas volantes é notada mais facilmente em algumas circunstâncias específicas, como ao ler ou em frente a ambientes iluminados. De início, o problema nos olhos pode parecer superficial e que o tempo será suficiente para superá-lo.
No entanto, a Tatiana reforça que é necessário buscar o atendimento com um especialista caso surjam manchas na visão. Além disso, alguns sinais podem indicar um quadro de maior gravidade. São eles:
- Aumento repentino na quantidade ou tamanho das manchas;
- Surgimento de flashes de luz antes ou junto ao aparecimento das manchas;
- Perda súbita do campo visual ou da acuidade visual.
Nesses casos, é fundamental consultar um especialista em retina. O diagnóstico costuma incluir exames como o mapeamento da retina, ultrassom ocular e tomografia de coerência óptica, que ajudam a identificar lesões ou alterações mais graves.
Identificação da miodesopsia
O primeiro passo no tratamento contra as moscas volantes é a identificação. Segundo a especialista, o diagnóstico é feito por meio de exame clínico e do mapeamento da retina. Exames complementares como o ultrassom ocular e a tomografia de coerência óptica da retina dão mais detalhes do quadro.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o aparecimento dos pontos escuros ocorre com maior frequência em pessoas que têm miopia, que tiveram inflamação no olho ou que se submeteram à cirurgia de catarata. Além disso, afeta principalmente pessoas a partir dos 45 anos.
“As moscas volantes também podem surgir em consequência de hemorragias pós-trauma, infecções ou inflamações oculares e rupturas da retina que podem causar sangramentos no vítreo”, acrescenta a oftalmologista.
O tratamento
A maioria dos casos de moscas volantes não são graves e, por isso, requerem tratamento específico. Pequenos movimentos oculares para cima, para baixo ou lateralmente podem ajudar a deslocar as manchas para fora do campo de visão.
No entanto, quando o desconforto é intenso ou a visão está significativamente comprometida, o profissional pode recomendar tratamentos mais invasivos. Tatiana reforça que somente um especialista poderá indicar o tratamento cirúrgico adequado.
Entre as opções disponíveis, estão:
- Vitrectomia: cirurgia que remove o vítreo afetado e o substitui por uma solução salina. Normalmente, essa indicação é apenas para casos graves;
- Terapia com laser: utilizada para fragmentar os aglomerados, reduzindo os sintomas.
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